“WhatsApp da terapia” estreia no Brasil com mensalidade de R$ 299

Aplicativo conecta pacientes a psicólogos e permite troca de mensagens criptografadas

São Paulo – Dois brasileiros criaram um aplicativo que funciona como se fosse um WhatsApp voltado para a orientação psicológica. Yonathan Yuri Faber e Renan Tupin são os cofundadores do Fala Freud, um app que conecta pessoas a psicólogos e cobra mensalidade de 299 reais.

O aplicativo funciona com aprovação do Conselho Federal de Psicologia. Em junho, o Fala Freud enfrentava resistência do órgão, mas, após adequações no site, ele foi aprovado no final de outubro deste ano, em conformidade com a Resolução CFP nº 11/2012.

Como detalhamos nesta matéria, o Fala Freud permite que os usuários consultem psicólogos ao longo do dia, solicitando orientações sobre as situações que enfrentam.

No primeiro acesso, o paciente passa por uma triagem com um profissional que avalia se ele está apto para participar da plataforma ou se ele requer atendimento psicológico presencial ou mesmo intensivo.

O usuário poderá enviar mensagens de texto, voz e vídeos contando sobre o que está passando. O psicólogo, então, responde com as orientações adequadas. O atendimento psicológico será documentado e reportado à empresa, com o objetivo de avaliar o progresso do paciente.

Segundo Faber, a maioria das pessoas cadastradas do aplicativo neste primeiro momento são mulheres.

“Estou bem satisfeito com o andamento do app, a aprovação do Conselho abre muitas portas. O objetivo do Fala Freud é levar a terapia a todos. O valor é acessível, praticamente qualquer dono de smartphone pode pagar. Queremos entregar bem-estar às pessoas”, afirmou Faber, em entrevista exclusiva a EXAME.com.

O Fala Freud está disponível para smartphones Android e iPhones. O pagamento é realizado via cartão de crédito e todas as mensagens trocadas entre paciente e psicólogo são criptografadas para evitar problemas com vazamentos ou interceptação de dados — assim como acontece no WhatsApp.

Comentários

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  1. cesar roberto Martns

    ‘cobra mensalidade de 299 reais’ ‘O valor é acessível, praticamente qualquer dono de smartphone pode pagar. Queremos entregar bem-estar às pessoas’. kkkkkkk, bem estar no bolso dos caras isso sim.

  2. Jéssica Rabelo

    O que os psicólogos ganham com isso?

  3. Copia da rede social frooid dot com, onde as pessoas se ajudam mutuamente e ganham pontos.. E é free. Ajuda tem que ser free..

    1. Peralá. O TRABALHO do psicólogo é ajudar. Mas ele precisa pagar contas, não pode ser “free” porque é ajuda. Um médico que opera um coração tá ajudando uma pessoa, logo, ele não deve cobrar?
      Não sei da qualidade do profissional do app, mas é um profissional que, pelo visto, tem aval do Conselho. É normal que cobrem.

  4. Felipe Tomino

    Parece o http://www.frooid.com
    Dêem uma olhada lá, foi lançado em 2013 e é free!

  5. Evandro Santana

    299,00 reais/mensais não é um valor que qualquer dono de smartphone pode pagar.

    MAS também, se quer qualidade e profissionalismo, não pode ser de graça.

    “Quando você não paga, o produto é você.” Sem falar que estamos falando de psicólogos profissionais e não psicologia de bar.⁠⁠⁠⁠

  6. Esse app vai ser igual educação a distância, pura enganação, o psicólogo finge que atende o paciente finge que está sendo ajudado e o dono do app ganha dinheiro…

  7. Adriana Entringer Basilio

    Eu não sou contra o progresso tecnológico, mas isso já é demais!!! O que vemos aqui é somente interesse financeiro!! Lamentável..

  8. Daniel Kerry

    Nota de esclarecimento do CFP quanto a essa matéria:
    http://site.cfp.org.br/nota-do-cfp-sobre-materia-veiculada-pela-revista-exame/

    Muitos/as psicólogos/as no Brasil todo denunciamos esse site/aplicativo em vários CRPs. A denúncia chegou ao CFP e espero que as providências sejam tomadas logo. Esses empresários que mercantilizam a psicologia e o sofrimento e vendem receitas de felicidade nessa lógica neoliberal não podem ter o aval do CFP e de quem pensa seriamente a profissão no país.
    É lamentável que pessoas sejam enganadas (o conselho não autoriza “terapia on-line” como promete o app), que a profissão da psicologia seja exposta a esse tipo de precarização e que pessoas que não têm formação em psicologia (são empresário querendo lucrar) achem que podem ter ingerência sobre um campo que nitidamente desconhecem.

  9. ARGUMENTOS INICIAIS CONTRA O APLICATIVO FalaFreud E APROVAÇÃO DO MESMO PELO CFP

    1) Indução ao usuário de que é um serviço de psicoterapia online. O site e a página do Facebook induzem a entender que o serviço é psicoterapia. Inclusive utilizam a hashtag #terapiaonline e discutem temas como depressão e afins.

    2) Apresentação de propaganda no site e cadastro do aplicativo. A resolução esclarece que não pode haver propaganda de quaisquer tipos em sites de Aconselhamento/Orientação psicológica, mas há. Ao final do cadastro do “paciente” há um link para o “Typeform” que, inclusive eu mesma cliquei achando que fazia parte do cadastro do FalaFreud

    3) Condições insalubres de trabalho – 24 horas de sobreaviso do profissional. O aplicativo oferece um psicólogo disponível 24horas por dia, 7 dias por semana. Essa mera oferta reflete uma condição indigna de trabalho do psicólogo que não pode estar em sobreaviso 24 horas por dia sem interrupção. Se por acaso a justificativa for de que serão vários profissionais atendendo o mesmo “paciente”, o caso se agrava no que diz respeito a ética e técnica. Ou banalizaremos formação de vínculo como parte importante do processo terapêutico de vez.

    4) Impossibilidade de prestação de serviço psicológico por via exclusivamente por mensagens. Ainda que se trate de orientação psicológica, fazê-la APENAS por troca de mensagens, sem sequer identificação do paciente (como o serviço oferece) é ao mesmo tempo absurdo e impossível do ponto de vista técnico. Se assim o for, façam um aplicativo robotizado com mensagens padrão para temas específicos e INFORMEM os usuários sobre o tipo de serviço prestado.

    5) Desvalorização dos honorários profissionais. Se pudermos imaginar que o repasse feito pelo aplicativo é integral ao profissional – o que a princípio sabemos que não é por que inviabilizaria o serviço – ele é menor do que o proposto pelo CFP. Para não desvalorizar a profissão do psicólogo o CFP orienta que o LIMITE MÍNIMO para atendimento seja da ordem de RS 70,00 por 50 minutos de atendimento. Se o usuário paga RS 299,00/mês com acesso irrestrito ao psicólogo, qual o valor de hora atendimento?

    6) Contra a resolução CFP 011/2012. A resolução CFP 011/2012 LIMITA o serviço de orientação psicológica mediada por tecnologia a 20 atendimentos de orientação. Isto significa, portanto, que após 20 mensagens o aplicativo suspende o serviço? Se for assim, porque o pagamento do usuário é mensal?

    7) Falta de cuidado com a integridade do usuário. Quem se responsabiliza pelo paciente? Se a triagem é feita por mensagens e se o atendimento é feito por mensagens, como garantir a integridade psíquica do usuário visto que, mesmo de forma presencial e com todos os recursos de análise não verbal, há risco de o paciente não expor a totalidade de sua condição.

    8) Contra artigo 38 do Código de Ética. Utilizar o VALOR como forma de propaganda é proibido pelo Código de Ética profissional e, mesmo assim, essa é a principal forma de propaganda do aplicativo vide divulgação em Redes Sociais, mídias eletrônicas e jornais.