Site quer mudar o jeito como se encontra uma diarista

O Blumpa quer aposentar o boca-a-boca e usar a tecnologia na busca por diaristas. Nele, basta colocar as informações do local e chamar alguém em um clique

São Paulo – O site Blumpa quer mudar o processo de busca por uma diarista. Se antes era preciso perguntar para os amigos, vizinhos ou o zelador do prédio, agora é possível encontrar a pessoa certa com alguns cliques no computador.

“Eu pensei nesse serviço enquanto procurava alguém para trabalhar na minha casa”, explica Eduardo Giglio, fundador e CEO da Blumpa.

Enquanto tomava um açaí de café da manhã em São Paulo, Giglio contou a EXAME.com como começou a empresa e para onde espera que ela vá. Abaixo os melhores momentos da entrevista.

EXAME.com – A ideia para o Blumpa surgiu antes ou depois da lei das domésticas?

Eduardo Giglio – Ela surgiu depois, mas não foi o estopim para a ideia. Eu pensei nesse serviço enquanto procurava alguém para trabalhar na minha casa. O processo normal é você perguntar para amigos, conhecidos ou o zelador do prédio. E por causa da dificuldade, pensei no Blumpa, que começou no quarto da minha casa, há pouco mais de sete meses.

EXAME.com – E como o Blumpa funciona exatamente?

Eduardo Giglio – A ideia do Blumpa é conectar as pessoas que procuram trabalho com as que estão procurando alguém para limpar a casa. Se você é o consumidor, basta entrar no site, colocar seu endereço e as informações sobre o trabalho. Antes, calculávamos o preço de acordo com o tamanho da casa. Mas tem apartamentos de um dormitório que dão mais trabalho para limpar do que uma mansão. Mudamos para a cobrança por tempo.

EXAME.com – E para os profissionais?

Eduardo Giglio – Nós fazemos um cadastro de profissionais. As pessoas são entrevistadas, respondem um questionário simples, têm seus currículos analisados e passam a fazer parte do nosso banco de dados. Quando alguém pede um trabalho, nossos algoritmos buscam quais são os profissionais mais indicados—levam em conta quanto tempo a pessoa demoraria a chegar ao local e como está a agenda dela. A comunicação com os profissionais é feita por SMS e ligações telefônicas para não obrigar que eles precisem ter um smartphone.

EXAME.com – Eu percebi que ainda não dá para contratar pessoas por um smartphone, usando um app. Certo?

Eduardo Giglio – Isso é um próximo passo no qual estamos trabalhando. Pensamos que isso não é uma prioridade para o nosso tipo de serviço. Não é como um táxi que é preciso pedir de onde a pessoa estiver. Ela pode sentar em um computador a qualquer hora e fazer o agendamento. Pode também programar uma repetição semanal para o trabalho, por exemplo. Mas o aplicativo de smartphone está nos planos, sim.

EXAME.com – A Blumpa teve investimentos para começar?

Eduardo Giglio – Não. Como eu disse, começou no meu quarto e foi crescendo. Hoje, temos uma parceria com a Germinadora, que nos fornece estrutura. Já temos 10 pessoas fixas no quadro da empresa.

EXAME.com – E não existe intenção de procurar investimento para a startup?

Eduardo Giglio – Existe, mas não estamos trabalhando nisso para valer ainda. Pretendemos antes expandir para outras cidades e depois procurar investimento. Trabalhamos em 16 cidades, basicamente Grande São Paulo. Nos próximos meses vamos começar a atuar em outras cidades e depois procurar investimentos.

EXAME.com – E como é a monetização da Blumpa?

Eduardo Giglio – Nós cobramos uma pequena taxa de todos os pagamentos, uma porcentagem. Foi com esse modelo que conseguimos crescer de um primeiro site horrível que eu mesmo fiz, até o serviço que temos hoje com uma dezena de pessoas trabalhando.

EXAME.com – E até onde o Blumpa pode ir?

Eduardo Giglio – O cenário ideal para nós é termos bastante gente usando o serviço, nas duas pontas. Se você pensar, muitos dos profissionais têm que pegar vários ônibus e demoram horas para chegar ao trabalho. Nós tivemos notícia de uma diarista que fez um trabalho na rua da sua casa. Andou dois quarteirões ao invés de pegar dois ônibus. Isso deixa a pessoa mais feliz e o trabalho também fica melhor. Fico pensando em como será quando tivermos uma base bastante grande para que isso seja normal. A vida dessas pessoas vai ser muito melhor.