Samsung prepara S5 enquanto Apple e Xiaomi agitam setor

Coreana lançará um novo telefone Galaxy top de linha em um momento em que a empresa luta para se manter no topo de uma indústria comprovadamente difícil

Seul – A Samsung Electronics lançará um novo telefone Galaxy top de linha na semana que vem em circunstâncias muito diferentes das enfrentadas pelos modelos anteriores, em um momento em que a empresa luta para se manter no topo de uma indústria comprovadamente difícil de liderar por muito tempo.

Em vez do evento exclusivo de gala de março passado para o lançamento do S4, no Radio City Music Hall, em Nova York, o novo aparelho será conhecido em uma exposição comercial em Barcelona, onde a maior fabricante de telefones celulares do mundo dividirá o holofote com outras produtoras e operadoras. A Samsung está enfrentando, no momento, quedas no crescimento dos lucros e nos preços de suas ações, além de crescimento das vendas da Apple e da estreante chinesa Xiaomi.

A Samsung se valeu de uma linha diversificada do Galaxy para dominar um negócio que recompensou e depois destruiu empresas como Motorola Mobility e Nokia Oyj. Após chegar ao pico com aparelhos vendidos a preços entre US$ 150 e US$ 900, a Samsung está sendo pressionada à medida que a Apple conquista mais usuários de alto padrão, enquanto a Xiaomi e a Lenovo Group Ltd. adicionam recursos avançados a modelos de baixo custo.

“O mercado de smartphones está ficando saturado”, disse Neil Mawston, diretor de prática global wireless da empresa de pesquisas Strategy Analytics. “A Samsung precisa de algo diferente nos designs de seus produtos para se destacar no mar de retângulos negros nas prateleiras das lojas”.

O novo telefone terá uma tela de 5,2 polegadas, maior e mais nítida que a do S4, além de bateria e câmera melhoradas, segundo uma fonte que conhece o aparelho e pediu para não ser identificada antes do lançamento público.

‘Pequenas mudanças’

Lee Young Hee, vice-presidente-executivo da unidade de dispositivos móveis da empresa com sede em Suwon, Coreia do Sul, disse em uma entrevista, no mês passado, que com o novo aparelho a Samsung “volta para o básico”.

Além da possível inclusão de tecnologia de reconhecimento dos olhos, a Samsung não divulgou as especificações antes de lançar o aparelho, que os analistas esperam que seja batizado de S5, no Congresso Mundial de Tecnologia Móvel.


“Não surgirão fatores surpreendentes no S5. Haverá apenas algumas pequenas mudanças de design e funções, como uma capa negra de metal ou tecnologia à prova d’água”, disse Pak Yuak, analista em Seul da Meritz Securities. “As expectativas foram reduzidas significativamente”.

Sul Jung In, porta-voz em Seul da Samsung, preferiu não comentar as especificações do aparelho.

Os desafios estão provocando um efeito ruim sobre as ações da empresa. As ações da Samsung caíram 15 por cento nos últimos 12 meses, fazendo a empresa perder cerca de US$ 30 bilhões em valor de mercado. Os papéis caíram 9,9 por cento no ano passado, o primeiro declínio anual desde 2008.

Telas grandes

A Apple vendeu 51 milhões de iPhones no trimestre de dezembro, e no mês passado começou a comercializar aparelhos por meio da China Mobile Ltd., a maior operadora do mundo, com 772 milhões de usuários.

A Xiaomi também ganhou participação de mercado na China no quarto trimestre, empatando com a Apple com 7 por cento, segundo dados divulgados ontem pela Canalys. A Xiaomi é a terceira maior vendedora de aparelhos na China em termos de valor dos lotes vendidos, depois da Samsung e da Apple, segundo a Canalys.

O CEO Lei Jun disse, no mês passado, que a empresa com sede em Pequim pode vender 40 milhões de telefones neste ano.

A Samsung registrou seu mais lento crescimento trimestral de lucro desde 2011 nos três meses até 31 de dezembro, quando a receita líquida, excluindo juros minoritários, cresceu 5,4 por cento, para 7,22 trilhões de wons (US$ 6,7 bilhões).

Seguir com o foco em uma linha de produção diversificada pode ser importante para a Samsung em tempos em que muitas produtoras são capazes de imitar as últimas inovações tecnológicas.

“A inovação, do ponto de vista da alta qualidade, parece limitada”, disse Greg Roh, analista da HMC Investment Securities Co. em Seul. “A estratégia de mercado diferenciada é mais importante do que a concorrência em relação às especificações”.