Robôs trarão mudanças drásticas à sociedade, prevê Google

Uma entrevista com Larry Page e Sergey Brin traz à tona a visão de futuro da dupla que fundou e dirige o Google

São Paulo — Para Larry Page e Sergey Brin, do Google, a multiplicação dos robôs vai acarretar mudanças tão drásticas na sociedade quando as que foram trazidas pela Revolução Industrial e pela mecanização da agricultura. 

Page e Brin discutiram o assunto numa entrevista de cerca de 40 minutos com o investidor Vinod Khosla, num evento fechado de sua empresa Khosla Ventures. A conversa traz detalhes interessantes sobre a visão de futuro da dupla que fundou e dirige o Google.

No futuro vislumbrado pelos dois, os robôs serão onipresentes. É um cenário que combina com as ações do Google, que comprou diversas empresas de robótica nos últimos meses, como a Boston Dynamics.

Larry Page observa que, há pouco mais de um século, 90% das pessoas trabalhavam na agropecuária. Hoje, nos Estados Unidos, são só 2%. Nas próximas décadas, um processo similar vai acontecer em muitas áreas à medida que os robôs assumem o lugar dos humanos.

Isso significa desemprego em massa? Page diz que haverá ligeiramente menos empregos. Brin rebate:

Não acho que, no curto prazo, a necessidade de mão-de-obra vai sumir. Ela se desloca de uma área para outra. As pessoas sempre querem mais coisas ou mais diversão ou mais criatividade ou mais alguma coisa.

Carro robótico

Na entrevista, Sergey Brin discutiu extensamente a disseminação dos carros robóticos que se dirigem sozinhos. Para ele, isso vai tornar dispensável cada pessoa ter seu próprio veículo. Haverá menos congestionamentos e menos acidentes de trânsito.

Sua visão é de um mundo em alguém que precisa ir algum lugar vai chamar um táxi sem motorista para atendê-lo em vez de usar seu próprio carro:

Com carros autônomos, você não precisa muito de áreas de estacionamento, porque não é necessário haver um carro por pessoa. O carro vem e pega você quando você precisa dele, disse Brin.

Você também pode fazer uso muito mais eficiente das estradas. Isso não é algo que já desenvolvemos. Mas já foi simulado por muita gente. Os carros podem formar trens. Podem trafegar em alta velocidade, talvez muito superior à das autoestradas atuais.

A visão de Brin é interessante e é provável que vire realidade ao menos em algumas regiões do mundo. Mas as pessoas têm certo apego a seus carros. Será que elas vão abandonar o volante sem protestar? Brin acha que sim:

É realmente agradável não ter um volante, nem pedais no carro. Talvez os assentos devam ficar voltados uns para os outros, ou algo assim. Não estou certo de que o desenho tradicional dos carros seja o ideal para veículos autônomos.

A entrevista completa está neste vídeo (em inglês):

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