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Última atualização 26/05/2017 - 17:20 FONTE

Pílula não eleva risco de malformação congênita, diz estudo

Bebês cujas mães continuaram a tomar pílula na gravidez não tinham maior risco de malformações do que aqueles nascidos de mulheres que nunca tomaram pílula

Tomar uma pílula anticoncepcional antes ou no início de uma gravidez não aumenta o risco de problemas congênitos graves no bebê – é o que diz um estudo britânico publicado nesta quinta-feira numa revista médica britânica.

Pesquisadores dinamarqueses e norte-americanos chegaram a esta conclusão – que contradiz os resultados de alguns estudos publicados no passado – depois de estudarem cerca de 900 mil nascidos vivos listados na Dinamarca entre 1997 e 2011.

Cerca de 2,5% das crianças sofriam de problemas congênitos tais como como malformações do sistema nervoso (espinha bífida), do coração, do trato respiratório ou urinário, cabeça ou membros.

Questões relacionadas a causas conhecidas, como a síndrome alcoólica fetal ou aberrações cromossômicas (incluindo originalmente trissomia 21) foram excluídos do estudo.

Os pesquisadores descobriram que crianças nascidas de mulheres que continuaram a tomar a pílula após o início da gravidez não tinham maior risco de malformações do que aquelas nascidos de mulheres que nunca tomaram a pílula ou tinham parado antes de engravidar.

A maioria das mães estudadas (68%) tinham parado de tomar contraceptivos orais mais de três meses antes da concepção, enquanto 21% nunca tinham tomado a pílula.

Apenas 8% tinham parado a contracepção oral menos de três meses antes da gravidez enquanto 1% continuou a tomar mesmo que já estivessem grávidas.

Mas, em última análise, a taxa de malformações foi praticamente a mesma: cerca de 2,5% após o ajuste para fatores de risco como idade materna, nível de escolaridade ou renda, ou tabagismo durante a gravidez.

Estes resultados devem “tranquilizar as mulheres que engravidaram enquanto tomavam contraceptivos orais ou apenas alguns meses depois de pararem de tomá-los”, dizem os autores.

Segundo Brittany Charlton, da Harvard T.H. Chan School of Public Health, eles são ainda mais tranquilizadores já que são baseados em prescrições médicas e não nas declarações das mulheres, que podem ser menos confiáveis​​.

Nos anos 70 e 80, vários estudos em pequenos grupos de mulheres encontraram uma associação entre os contraceptivos orais (estrogênio ou progestina) e malformações cardíacas e dos membros.

Esta associação, no entanto, não foi encontrada em estudos mais recentes.

Hereditariedade, pesticidas, tabaco, álcool, radiação ionizante, obesidade, aberrações cromossômicas e agentes infecciosos são atualmente considerados os principais fatores de risco para defeitos congênitos.

Tomar certos medicamentos também é tido como um fator de risco, o mais infame deles sendo a talidomida. Prescrito para mulheres grávidas contra a náusea nos anos 50 e início dos anos 60, a droga fez entre 10.000 e 20.000 vítimas, em sua maioria nascidas com membros amputados.