Pessoas estão encontrando parentes mortos no Google Street View

A tendência apareceu depois que um post no Facebook viralizou - e milhares de pessoas voltaram no tempo usando o serviço de mapas

A tecnologia ainda não arranjou um jeito de trazer de volta as pessoas que perdemos. Mas tem gente mantendo vivo o vínculo com parentes falecidos de um jeito muito curioso: usando o Google Maps.

A ferramenta do Street View foi pensada para deixar o Google Maps tridimensional: em vez de só ter acesso ao mapa e às imagens de satélite, o usuário também pode ver as fachadas das casas, e passear pelas ruas virtualmente. Agora, nesse novo “fenômeno”, também conseguem viajar no tempo.

Para fazer essas imagens, o carro do Street View sai fotografando, periodicamente, todos os endereços que constam no mapa.

É por causa disso que Greici Medina, secretária de 26 anos, sabe que, se procurar pela loja do pai, vai encontrá-lo sentado ali, em uma cadeira plástica, como fazia todos os dias. João Flávio Machado Medina, porém, faleceu há um ano.

Ela descobriu que o lojista havia sido flagrado pelo Street View faz tempo, mas voltou a revisitar – e a salvar a foto – na fase do luto. “Logo nos primeiros dias lembrei desse registro”, conta.

“É como se ele ainda estivesse lá, e é como se eu pudesse ir lá agora e encontrá-lo”. Ao contrário de uma fotografia, a sensação que a foto do mapa passa é a de presente, não de passado.

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A tendência de “revisitar” entes queridos usando o Google Maps viralizou junto com um post da página de humor Catioro Reflexivo, que publica fotos engraçadinhas de cãezinhos.

Só que o perfil, desta vez, contou a história de um dono que usava o Street View para matar as saudades do seu cachorro, que já faleceu.

Os comentários se encheram de posts parecidos, com gente que usa o serviço para reviver o dia a dia de peludos e humanos que já partiram.

Foi o caso de Evandro Ferraz, que perdeu sua cachorrinha em 2012, em um acidente que ele classifica como muito traumático. Mell, sua Basset Hound mestiça, já tinha 10 anos quando chegou na sua casa e foi atropelada pela van que levava Evandro à faculdade. Mas, no Google Street View, Mell continua perto do portão da garagem, tomando seu banho de sol diário.

“A imagem transmite uma emoção diferente, é mais humano ver seu cãozinho ansioso no portão, esperando o amigo chegar”.

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A ferramenta acaba sendo especialmente valiosa para quem não tem tantas fotos para se lembrar de quem partiu. O avô de Marcelo Pôrto, Jason Sicupira, já era uma celebridade do Street View na família quando o serviço começou.

O senhorzinho tinha uma mania tão regular de cumprimentar os vizinhos na frente da casa que conseguiu ser fotografado não uma, mas duas vezes. A primeira foto foi descoberta quando Jason ainda estava vivo e foi festejada pelos parentes.

A segunda foto, no entanto, só foi descoberta na semana passada. Marcelo descobriu a imagem atualizada quando viu o post que viralizou. Ele encontrou o avô, 4 anos depois de morrer, de bonézinho e bermuda, de pé em frente ao portão de casa.

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A coincidência é que o avô de Marcelo não era lá muito fã de câmeras – e justamente nessa calçada foi tirada uma das únicas fotos “de verdade” de Jason com Marcelo. Olha só:

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A nostalgia tecnológica foi contagiosa até na redação da SUPER – por aqui, nosso diretor de redação entrou e saiu várias vezes do passado só com um clique do mouse.

Para viajar no tempo, ele foi navegando pelas versões anteriores e diferentes atualizações do Street View. Conseguiu visitar a casa da avó, onde cresceu. Depois, em imagens mais recentes, viu a construção ser demolida e transformada em um prédio todo moderno.

E você, que passado quer visitar com o Google Maps?

Comentários

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  1. Hudson Martins

    Ótima reportagem. Parabéns!

  2. André Fuzatto

    Meu pai faleceu a 1 anos e quase 10 meses. Encontrei uma foto dele no streetview onde ele estava na frente de sua casa varrendo a calçada. Depois que ele partiu encontrei uma atualização em que estava no jardim retirando insetos de uma pequena arvore que tem lá. Apesar de ter salvo estas duas sempre que posso entro e dou uma olhada para ver se ainda estão lá e mato um pouco da saudade. Fica com Deus meu pai.