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Segundo o The Wall Street Journal, as finanças da empresa vão bem: com 46 milhões de blogs, o serviço recebeu investimento entre US$ 75 milhões e US$ 100 milhões
O americano Mark Coatney, diretor do Tumblr – híbrido de rede social e plataforma de blogs –, está no Brasil para recrutar o profissional que vai comandar o serviço no país a partir de um escritório local, o primeiro fora dos Estados Unidos. Faz sentido. Segundo o próprio Coatney, jornalista que trocou a revista Newsweek pela internet, o mercado brasileiro é atualmente o segundo maior filão do Tumblr, superado apenas pelo americano. Um exemplo: o crescimento do número de usuários brasileiros em 2011 – 209% – superou o registrado em todo o mundo, 167%.
De acordo com o jornal americano The Wall Street Journal, as finanças vão bem: com 46 milhões de blogs, o serviço recebeu investimento estimado entre 75 milhões e 100 milhões de dólares, elevando o valor da companhia a cerca de 800 milhões de dólares. Por aqui, além de procurar um representante, Coatney tenta convencer mais indivíduos, empresas e, em especial, veículos da imprensa a adotar a ferramenta. Para isso, já começou até a acompanhar a atividade dos usuários brasileiros: "Eu sigo muitos deles, mas, como não entendo português, não sei do que eles falam", diz. Confira a entrevista que ele concedeu a Veja.com em sua passagem pelo Brasil.
- Quantas pessoas o Tumblr pretende contratar no Brasil?
Mark Coatney: Vamos contratar uma pessoa para dar início às operações, mas no futuro contrataremos mais gente. O Brasil é o segundo maior mercado no Tumblr – só perde para os Estados Unidos – em usuários e páginas criadas. É um país importante para nós. Buscamos alguém que possa desempenhar vários papéis: desde manter contato com empresas e convencê-las a usar o Tumblr até ajudar usuários individualmente. Não temos preferência por uma formação específica.
- Onde ficará o escritório e quando começam os trabalhos?
Mark Coatney: Os trabalhos devem começar em abril. O escritório provavelmente ficará na cidade de São Paulo. Mas se o nosso candidato predileto morar no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade, a sede do Tumblr no Brasil será lá.
- As suas atualizações no Tumblr da Newsweek eram muito elogiadas por não parecerem institucionais. As opiniões publicadas eram suas ou da revista?
Mark Coatney: Quando criei o Tumblr da Newsweek, tinha a intenção de assinar o conteúdo. Acabei removendo o meu nome porque nunca configurei o perfil adequadamente e porque minha assinatura atrapalhava o desenho da página. Quando alguém me perguntava de quem eram as opiniões explicitadas na página, eu respondia que eram minhas. No entanto, na hora de escrever, usava o pronome “nós”, dando a entender que as opiniões eram da revista. Quando realmente comecei a usar o Tumblr da revista para falar da própria revista, a Newsweek tinha sido colocada à venda e estava sendo duramente criticada. Eu usei o perfil para defendê-la. Não me incomodava com a ideia de que meus chefes pudessem não concordar ou não gostar do que eu estava fazendo. Na época, pensava: "O que eles podem fazer? Me demitir? Pouco importa, pois a redação inteira pode ser desfeita dentro de uma semana." Era uma circunstância única. Mas eu acredito que se uma empresa puder fazer isso – deixar que um indivíduo seja sua voz – o efeito é positivo.
- Por que o senhor trocou a Newsweek pelo Tumblr?
Mark Coatney: Quando entrei, a empresa tinha apenas oito ou nove funcionários. Hoje somos 75 pessoas e ficamos em Nova York e em Richmond (capital do estado de Virgínia). Fui jornalista por 15 anos e queria tentar algo diferente. Eu realmente gostei de como o Tumblr conecta os jornalistas ao público. Quando eu escrevia alguma coisa no Tumblr da Newsweek, as pessoas costumavam interagir com o post, e conversar comigo. Antes disso, eu estava um pouco frustrado com jornalismo on-line porque era muito parecido com jornalismo impresso: sem interação. De vez em quando, as pessoas publicavam um comentário nas matérias e só. O Tumblr funciona mais como um canal de duas vias.
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