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Pesquisa | 03/09/2012 15:20

Tablets e e-books, uma relação complicada?

De acordo com a revista norte-americana Forbes, as vendas de e-books possuem uma relação inversa às vendas de tablets

Cauã Taborda, de

Justin Sullivan/Getty Images

Tablet

Usuários leem menos livros que o esperado nos tablets

São Paulo - Nos Estados Unidos, um em cada cinco leitores de e-books utiliza um Kindle Fire para leitura e quase o mesmo número confia em seus iPads. Mesmo com números interessantes para os tablets, a pesquisa também aponta uma tendência preocupante: os usuários de tablets estão lendo menos.

De acordo com a revista norte-americana Forbes, as vendas de e-books possuem uma relação inversa às vendas de tablets. Ou seja, os números mostram que quanto mais tablets são vendidos no mercado norte-americano, menos espaço é destinado aos e-books e e-readers. Conforme os tablets ganham a preferência dos consumidores no lugar dos tradicionais Kindle, Nook ou mesmo Positivo Alfa, os livros digitais passam a competir com aplicativos, e-mails, navegação na web e redes sociais.

Nos e-readers, que têm como função exclusiva a leitura, a disputa pela atenção do usuário ocorre com o mundo físico a seu redor. Nos tablets, a situação é muito diferente. Afinal, quem nunca perdeu a concentração por conta de um alerta do Twitter ou Gmail que atire o primeiro mouse.

No Brasil, a situação dos livros digitais é ainda mais complexa. Segundo dados da Fundação Pró-Livro, e-books fazem parte da rotina de 9,5 milhões de brasileiros. Comparado ao universo total de leitores, o número é tímido. De acordo com a pesquisa, 45% dos entrevistados nunca ouviu falar em e-books ou livros digitais. Mesmo assim, os números e o espelho no mercado norte-americano são suficientes para deixar as editoras preparadas. “Não há sentido para que os livros digitais não emplaquem no Brasil”, diz Susanna Florissi, diretora e coordenadora da área digital da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Para ela, os tablets não são vistos como inimigos, mas como facilitadores nesse processo. Isso se deve ao cenário completamente distinto em relação aos Estados Unidos, onde as tecnologias já são estabelecidas e os livros digitais têm boa penetração. Para Susanna, uma grande aposta para alavancar o mercado digital são os livros didáticos. “Já há conteúdos didáticos interativos com vídeos, exercícios para serem resolvidos e explicações em áudio. Nesse ponto, algumas editoras já estão prontas para oferecer livros que vão além do texto”.

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