São Paulo - Apesar dos pedidos de consumidores para que a Sony diminua o preço do PlayStation 4 no Brasil, a empresa diz que não tem previsão de reduzir esse valor. De acordo com a fabricante, apesar dos exorbitantes R$3.999, cada unidade do PS4 vendida no Brasil causará prejuízos.

Segundo Anderson Gracias, gerente geral de PlayStation no Brasil, a Sony tem uma estratégia global de subsidiar o custo de produção do console – inclusive no Brasil.

Em entrevista a INFO, Gracias e Mark Stanley, presidente de PlayStation para a América Latina, reforçaram que o preço do PS4 no Brasil é resultado da carga tributária brasileira e não há previsão para redução do preço do videogame por aqui.

"Nós sabemos que não vamos vender muitas unidades a esse preço", disse Stanley. "Fomos forçados a lançar o PS4 a um preço absurdo por conta dos impostos altíssimos – dos quais não temos culpa. Vamos continuar a investir muito no Brasil”.

Segundo o executivo, a única saída para reduzir o preço do PS4 é produzir o console em território nacional. "Nós temos muito interesse em produzir o PS4 no Brasil, mas isso requer muito estudo de mercado". Stanley afirma que, a grosso modo, o custo do PlayStation 4 fabricado no Brasil poderia ser até 50% menor que a importação. “Nós ainda não produzimos o PS4 no Brasil por um único motivo: qualidade. Nós queremos ter certeza que a qualidade final do produto seja 100%, e para isso é preciso ter muita pesquisa. Primeiro temos que iniciar a produção global e depois avançamos para a produção no Brasil".

No começo da tarde de hoje, a Sony divulgou um infográfico explicando a conta que leva ao valor de 4 mil reais do console no país.

Mas, de acordo com um advogado tributarista ouvido pela reportagem, há pontos nebulosos na explicação. Segundo Marcio Camargo Ferreira da Silva, a melhor resposta da Sony seria divulgar o código tarifário do PlayStation 4, uma tarifa externa comum internacional pela qual poderíamos obter o valor real do console e desmitificar todas as taxas aplicadas em sua viagem até o Brasil.

"O cálculo dos impostos está dentro do padrão brasileiro, mas precisaríamos descobrir o preço real pelo qual o PlayStation 4 está chegando ao país. Se eles [Sony] trazem para cá em preço altíssimo, não é à toa que os impostos vão lá em cima", reforçou o tributarista.

Outro ponto importante, segundo o advogado, é a margem de lucro dos varejistas e distribuidores: “22% de margem é algo altíssimo. É só você comparar com a porcentagem que os televisores chegam ao país”.

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