Há meio século, a geração dos baby boomers teve a NASA e as viagens à Lua da Apollo para inspirá-los a sonhar grande.

Os jovens de hoje têm Elon Musk.

Quando o CEO da Tesla Motors e da SpaceX falou sobre sua extravagante ideia de uma cápsula estilo Star Trek que transporta os passageiros em um colchão de ar a 1.120 quilômetros por hora, tudo parecia pura fantasia. Bem, adivinhem? Muitas pessoas – vários deles jovens estudantes de engenharia – levaram isso a sério.

Mais de 1.000 deles estão se reunindo neste fim de semana na Texas A&M University, em College Station, no Texas, onde a SpaceX está patrocinando o primeiro Concurso de Cápsula Hyperloop, com duração de dois dias, que promete ser a feira de ciências mais excêntrica e incomum do mundo.

“Há um monte de ideias loucas por aí, mas quando elas estão associadas com alguém como Elon Musk, parecem algo mais sério”, diz Anshuman Kumar, 22 anos, líder da equipe Hyperloop na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, e um dos 20 estudantes da universidade que viajam ao Texas neste fim de semana. “Todo mundo quer estar associado com o movimento Hyperloop. É uma oportunidade única”.

Chegando de 20 países, cerca de 120 equipes de universitários e três de escolas de ensino médio irão ao vasto campus no Texas para apresentar seus projetos.

Eles sairão do Instituto de Tecnologia e Ciência Birla, da Índia, da Universidade do Cairo, do Egito, da Universidade de Tecnologia Delft, da Holanda, e do Imperial College, de Londres, para citar alguns exemplos. O secretário de Transportes dos EUA, Anthony Foxx, fará o discurso de abertura.

Manifesto

O frenesi começou com o Hyperloop Alpha, de Musk, seu manifesto de 57 páginas lançado em 2013. Musk, de 44 anos, ficou acordado toda uma noite para terminar o documento, que idealiza uma cápsula que flutua sobre um colchão de ar e vai de São Francisco a Los Angeles em 30 minutos. Musk é o primeiro a admitir que a façanha não será uma tarefa fácil.

“A menos que o teletransporte real seja descoberto, o que seria, evidentemente, impressionante (alguém, por favor, faça isso), a única opção para viagens ultrarrápidas é a construção de um tubo sobre o solo ou abaixo dele que contenha um ambiente especial”, escreveu Musk. “É aí que as coisas se complicam”.

Depois que o documento foi divulgado, o número de pessoas que seguem Musk no Twitter disparou. Pelo menos duas startups estão tentando comercializar a ideia por conta própria.

Mas, em junho passado, quando a própria SpaceX anunciou uma competição para construir uma cápsula, a ideia pegou fogo. Em uma semana, a empresa recebeu 700 inscrições; o total final foi de 1.751, e 123 chegaram ao concurso deste fim de semana.

“É raro ter a oportunidade de projetar algo, pela primeira vez, a partir do zero”, disse Liam Richardson, 19, estudante de engenharia aeroespacial da Universidade Estadual Politécnica da Califórnia, em Pomona, que passou a maior parte das férias de inverno conversando com seus companheiros de equipe por Skype sobre especificações de design. “Muitas coisas sobre o Hyperloop ainda são desconhecidas, e não há nenhuma referência de onde partir, além do documento do Elon”.

Equipes

Cada equipe chegará à feira com sua própria interpretação da ideia de Musk. Estudantes da Universidade de Stanford, por exemplo, estão optando por um sistema de levitação magnética passiva, ou maglev, diz Kendall Fagan, 21, estudante em engenharia mecânica da faculdade californiana.

“O transporte se tornou muito empolgante agora por causa dos carros autônomos”, disse ele. “Mas o Hyperloop é a ideia mais arrojada em termos de transporte. Parte da empolgação é que isso nunca foi feito antes. Será mesmo possível? Existem diferentes escolas de pensamento em relação a como a levitação vai funcionar”.

Embora a competição da SpaceX esteja voltada para estudantes universitários, algumas equipes do ensino médio conseguiram ser aprovadas. Seis estudantes da St. John’s, um colégio particular de Houston, se chamaram “HyperLift”. Os pais vão levá-los ao evento.

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