Washington - Os smartphones revolucionaram e simplificaram as atividades mais mundanas dos consumidores, mas não escapam da engenhosidade dos hackers que, com seus truques, conseguem driblar o sistema de segurança e acessar os dados privados de seus usuários.

Um estudo recente da empresa californiana Lookout Inc. revelou que o chamado malware (do termo em inglês malicious software) - que agora também infiltram nos celulares - aumentou significativamente, e os que incorporam o sistema Android da Google têm 2,5 vezes mais probabilidades de enfrentar uma ameaça em seus celulares em comparação há seis meses.

É a nova fronteira dos hackers que, não contentes em roubar a informação confidencial de milhões de internautas, agora incomodam quem faz download de aplicativos em seus celulares.

"Vimos um grande aumento de malware, em comparação a janeiro. Como mais consumidores se adaptando aos smartphones, os criminosos encontraram um mercado lucrativo e põem à prova novos modelos de negócios para fazer dinheiro por conta de consumidores ingênuos", disse à Agência Efe Kevin Mahaffey, co-fundador da Lookout Mobile Security e autor do estudo.

"Enquanto estiverem navegando na web, os usuários destes telefones no mundo todo devem ter cuidado ao fazerem download de aplicativos e clicar em links, como fariam em seus computadores de casa", recomendou Mahaffey em um e-mail.

O relatório da Lookout analisou dados de mais de 700 mil aplicativos e 10 milhões de celulares no mundo todo e, segundo seus cálculos, um terço dos usuários sofrerá alguma "ameaça". Segundo a Lookout, entre 500 mil e 1 milhão de usuários já se "contagiaram" com algum tipo de malware entre janeiro e junho deste ano.

Ao longo de 2011, três de cada 10 usuários têm a probabilidade de cair em um site que roube seus dados financeiros. No primeiro semestre de 2011, o número de aplicativos com malware aumentou de 80 para 400, sendo DroidDream e GGTracker as duas ameaças mais frequentes.

Os autores do DroidDream, por exemplo, lançaram no mercado mais de 80 aplicativos infectados com variações do mesmo malware, com a ideia de interceptar mensagens e conseguir o controle do celular a partir de um servidor.

Além de manter um registro das chamadas feitas e recebidas em um telefone celular - algo normal nestes dispositivos -, algumas desses programas podem gravar o conteúdo sem que o usuário saiba ou autorize.

Mais de 135 milhões de consumidores no mundo todo usam o sistema operacional Android - em parte porque a Google o oferece de graça aos fabricantes -, o que o transforma no programa mais popular e o mais vulnerável para os criminosos.

A Apple, por sua vez, aplica um rigoroso processo de aprovação para todo aplicativo e mesmo assim, seus iPhones e iPads sofreram um problema de segurança no mês passado, que foi corrigido imediatamente.

É fácil cair na armadilha porque os hackers escondem o malware em aplicativos que parecem legítimos, em uma fraude eletrônica, o que no jargão do setor é conhecida como phishing. Uma de suas táticas preferidas é o chamado malvertising (do termo em inglês malicious advertising), no qual anúncios pela rede móvel convidam o usuário a acessar endereços web e, ao entrar, ativa um download automático do aplicativo.

Outra tática é publicar inicialmente um aplicativo livre de suspeitas e, quando aumentar sua base de usuários, lançam uma atualização infectada.

É mais uma epidemia do século XXI que, justamente pelos múltiplos usos do celular e pelo imediatismo da internet, se estende de forma veloz e ameaça milhões de usuários. Há "antídotos" no mercado, mas os usuários devem ficar alertas aos "sintomas", como mensagens de textos incomuns, custos adicionais na fatura do telefone, e um desgaste súbito da bateria.

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