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Celulares | 16/08/2011 10:16

Smartphones não escapam dos ataques dos hackers

Não contentes em roubar a informação confidencial de milhões de internautas, hackers agora incomodam quem faz download de aplicativos em seus celulares

María Peña, da

Stock.xchng

Pessoa usando smartphone

Estudo californiano analisou dados de mais de 700 mil aplicativos e 10 milhões de celulares no mundo todo e concluiu que um terço dos usuários sofrerá alguma "ameaça"

Washington - Os smartphones revolucionaram e simplificaram as atividades mais mundanas dos consumidores, mas não escapam da engenhosidade dos hackers que, com seus truques, conseguem driblar o sistema de segurança e acessar os dados privados de seus usuários.

Um estudo recente da empresa californiana Lookout Inc. revelou que o chamado malware (do termo em inglês malicious software) - que agora também infiltram nos celulares - aumentou significativamente, e os que incorporam o sistema Android da Google têm 2,5 vezes mais probabilidades de enfrentar uma ameaça em seus celulares em comparação há seis meses.

É a nova fronteira dos hackers que, não contentes em roubar a informação confidencial de milhões de internautas, agora incomodam quem faz download de aplicativos em seus celulares.

"Vimos um grande aumento de malware, em comparação a janeiro. Como mais consumidores se adaptando aos smartphones, os criminosos encontraram um mercado lucrativo e põem à prova novos modelos de negócios para fazer dinheiro por conta de consumidores ingênuos", disse à Agência Efe Kevin Mahaffey, co-fundador da Lookout Mobile Security e autor do estudo.

"Enquanto estiverem navegando na web, os usuários destes telefones no mundo todo devem ter cuidado ao fazerem download de aplicativos e clicar em links, como fariam em seus computadores de casa", recomendou Mahaffey em um e-mail.

O relatório da Lookout analisou dados de mais de 700 mil aplicativos e 10 milhões de celulares no mundo todo e, segundo seus cálculos, um terço dos usuários sofrerá alguma "ameaça". Segundo a Lookout, entre 500 mil e 1 milhão de usuários já se "contagiaram" com algum tipo de malware entre janeiro e junho deste ano.

Ao longo de 2011, três de cada 10 usuários têm a probabilidade de cair em um site que roube seus dados financeiros. No primeiro semestre de 2011, o número de aplicativos com malware aumentou de 80 para 400, sendo DroidDream e GGTracker as duas ameaças mais frequentes.

Os autores do DroidDream, por exemplo, lançaram no mercado mais de 80 aplicativos infectados com variações do mesmo malware, com a ideia de interceptar mensagens e conseguir o controle do celular a partir de um servidor.

Além de manter um registro das chamadas feitas e recebidas em um telefone celular - algo normal nestes dispositivos -, algumas desses programas podem gravar o conteúdo sem que o usuário saiba ou autorize.

Mais de 135 milhões de consumidores no mundo todo usam o sistema operacional Android - em parte porque a Google o oferece de graça aos fabricantes -, o que o transforma no programa mais popular e o mais vulnerável para os criminosos.

A Apple, por sua vez, aplica um rigoroso processo de aprovação para todo aplicativo e mesmo assim, seus iPhones e iPads sofreram um problema de segurança no mês passado, que foi corrigido imediatamente.

É fácil cair na armadilha porque os hackers escondem o malware em aplicativos que parecem legítimos, em uma fraude eletrônica, o que no jargão do setor é conhecida como phishing. Uma de suas táticas preferidas é o chamado malvertising (do termo em inglês malicious advertising), no qual anúncios pela rede móvel convidam o usuário a acessar endereços web e, ao entrar, ativa um download automático do aplicativo.

Outra tática é publicar inicialmente um aplicativo livre de suspeitas e, quando aumentar sua base de usuários, lançam uma atualização infectada.

É mais uma epidemia do século XXI que, justamente pelos múltiplos usos do celular e pelo imediatismo da internet, se estende de forma veloz e ameaça milhões de usuários. Há "antídotos" no mercado, mas os usuários devem ficar alertas aos "sintomas", como mensagens de textos incomuns, custos adicionais na fatura do telefone, e um desgaste súbito da bateria.

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