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BlackBerry Torch 9800: queixas de lesões têm se tornado mais frequentes, garantem os médicos
São Paulo - Diminuir o tempo gasto diariamente para navegar na internet pelo smartphone foi a recomendação que o editor de vídeos José Antonio Portela, de 29 anos, recebeu do médico após queixas constantes de dores nas mãos. Há seis meses, entre ler e-mails, checar as redes sociais, tirar fotos e jogar, ele passava sete horas por dia manuseando o aparelho.
As teclas pequenas do telefone exigem das mãos um esforço muito maior do que o habitual, principalmente em relação ao dedo polegar. "O médico me indicou o uso racional do aparelho. Agora, uso o smartphone umas duas horas por dia", afirma Portela. Queixas de lesões como a dele, localizadas no polegar, têm se tornado mais frequentes, garantem os médicos.
"É uma observação de consultório: recebo, em média, um paciente por semana com queixas que parecem estar relacionadas ao smartphone", avalia o ortopedista Mateus Saito, especialista em mãos do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (IOT-HC).
O incômodo na articulação carpo-metacárpica, que liga o pulso e o polegar, é o problema mais comum entre aqueles que abusam do smartphone, dizem os médicos. "Essa articulação fica sobrecarregada com o uso em excesso do aparelho, mas ainda não sabemos que tipo de lesão é essa", afirma Saito. Faltam, agora, estudos nacionais que agreguem dados à percepção dos médicos. Saito cita uma pesquisa canadense, conduzida pela Universidade de Waterloo, que avaliou a interferência do smartphone na saúde das mãos, em 2011. Dos 140 usuários do telefone analisados, 84% apresentavam dores nas mãos - e os polegares eram os mais atingidos.
Compressas de gelo podem aliviar o desconforto nas mãos. "Mas, em primeiro lugar, é preciso descansar e usar com moderação a tecnologia", ressalta o fisioterapeuta Wilen Heil, diretor do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito). Algumas dicas ajudam a poupar as articulações. Uma delas é ativar o recurso "autocompletar" nas mensagens de texto.
O abuso no uso do aparelho também pode estar relacionado a quadros de estresse. Um estudo publicado terça-feira pela Sociedade de Fisioterapeutas do Reino Unido concluiu, ao analisar 2.010 profissionais, que quase dois terços das pessoas continuam trabalhando no caminho de volta do trabalho ou em casa por meio de aparelhos como o smartphone: foram, em média, duas horas extras por dia. As informações são do Jornal da Tarde.
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