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O doutor em gestão de negócios pela Universidade de Columbia afirma que a rede social, assim como o Google, ignora o mundo móvel
São Paulo - O americano Eric Jackson, analista do mercado de tecnologia, fez barulho há pouco mais de uma semana ao publicar artigo na revista Forbes em que profetizou a morte do Facebook. A história, é claro, chamou a atenção do mundo digital porque a rede social é uma das estrelas desse mercado. Basta lembrar que, há exatamente um mês, atraiu a cifra de 16 bilhões de dólares na sua chegada à bolsa. "O Facebook desaparecerá até 2020", vaticinou Jackson.
Em entrevista a VEJA.com, o doutor em gestão de negócios pela Universidade de Columbia afirma que a rede social, assim como o Google, ignora o mundo móvel, para onde migram, em alta velocidade, milhões de usuários do serviço. Nesse ponto, ele não exagera: mais da metade dos cadastrados acessa a rede a partir de celulares ou tablets. "O DNA do Facebook não traz know-how para operar na era da internet móvel, mas em uma fase anterior, a da web social", argumenta. Na entrevista a seguir, Jackson detalha sua teoria e ousa dar uma dica para Mark Zuckerberg, CEO e criador da rede social. "Se eu fosse Zuckerberg, compraria a RIM (Research In Motion, fabricante dos smartphones da linha BlackBerry)."
Veja.com - Por que o senhor acredita que o Facebook desaparecerá tão rapidamente?
Eric Jackson - O DNA que garante o sucesso de uma empresa em uma determinada área atrapalha sua adaptação a um cenário novo. O DNA do Facebook não traz know-how para operar na era da internet móvel, mas em uma fase anterior, a da web social. Caso não mude, o serviço pode ter o mesmo fim de Yahoo! e MySpace, que hoje são irrelevantes. A recente criação da Timeline (recurso que apresenta atividades do usuário em forma de linha do tempo) talvez seja o maior exemplo de como o Facebook dá prioridade aos computadores.
Veja.com - Por que é tão difícil para a rede operar na era móvel?
EJ - Hoje, podemos ver que a internet é constituída por três ondas de empreendimentos digitais. A primeira engloba companhias criadas entre 1994 e 2001, que buscavam agregar conteúdos: é o caso do Google e AOL. A segunda é das redes sociais, como LinkedIn, MySpace e Facebook. A última, iniciada em 2010, se dedica exclusivamente ao mundo móvel, são negócios concebidos para funcionar onde o usuário está. É o caso do Instagram (ferramenta de edição e compartilhamento de fotos), do Foursquare (serviço baseado em geolocalização) e do Social Cam (espécie de Instagram de vídeos). O Facebook, por exemplo, não alcançou essa terceira geração.
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