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Dinheiro | 09/07/2013 16:10

Saiba como funciona o bitcoin

Conheça um pouco mais sobre esse tipo de dinheiro digital produzido por milhares de computadores espalhados pelo mundo

Mauricio Moraes, de

O modelo é similar ao das redes P2P, usadas para compartilhamento de arquivos na internet. Por isso, controlar a moeda virtual, como fazem os bancos centrais com a moeda real, é muito difícil. Há uma teoria que prevê que, quando mais de 50% do poder computacional da rede estiver nas mãos de uma mesma organização, o bitcoin poderá ser manipulado. Como o número de computadores cresce sempre, essa possibilidade é bastante remota.

Os que não querem que seu dinheiro seja controlado pelo governo ou por bancos veem na moeda virtual uma alternativa e uma proteção. O bitcoin foi criado por um desenvolvedor misterioso, chamado Satoshi Nakamoto, em 2008, logo depois da crise financeira que atingiu os Estados Unidos.

Sua ideia era montar um sistema que permitisse transferências, depó­ sitos e pagamentos online entre pontos diferentes do planeta, de forma rápida, descomplicada e anônima, sem intermediários. A moeda precisaria adotar um altíssimo padrão de segurança e uma estrutura capaz de resistir a turbulências econômicas ou à quebra de instituições financeiras.

Nakamoto conseguiu. Até hoje ninguém falsificou bitcoins. O que mantém o funcionamento da moeda virtual são os “mineradores”, versões modernas das pessoas que garimpavam ouro. Computadores integrados à rede por meio de um software competem entre si, resolvendo complicados problemas matemáticos. Aqueles que encontram a solução primeiro recebem um bloco de bitcoins.

Isso acontece a cada dez minutos, e a dificuldade aumenta com o tempo. Na primeira fase do bitcoin, cada bloco rendia 50 moedas virtuais. A cada 210 mil blocos minerados, a recompensa diminui pela metade. Desde dezembro, caiu para 25 bitcoins. Dentro de quatro anos serão 12,5 bitcoins. E assim sucessivamente, até 2140, quando o último bloco será minerado.

O software definiu que o número de bitcoins em circulação chegará a no máximo 21 milhões de unidades. Como havia pouca gente minerando no início, conseguir a moeda era moleza. A primeira transação feita com a moeda teria sido a compra de duas pizzas, por 10 mil bitcoins, equivalentes na época a pouco mais de 25 dólares. Em valores atuais, seriam as pizzas mais caras do planeta: 2 milhões de dólares, na cotação mais alta.

Até 2010, qualquer um podia colocar o computador de casa para trabalhar e, com isso, conseguir um punhado de dinheiro digital. Isso é impraticável hoje, mesmo com máqui­ nas de última geração. A disputa pelos blocos aumentou tanto que surgiram computadores com hardware dedicado a minerar, como o Avalon ASIC. Competir com eles só vale a pena em lugares em que a energia elétrica é muito barata, o que não é o caso do Brasil, porque é necessário que o computador fique ligado dia e noite.

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