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São Paulo – O sobrenome não deixa dúvidas: Ruy Ohtake, o mais carioca dos arquitetos paulistas, é filho de Tomie, também Ohtake e dama das artes plásticas brasileira. Criador de prédios que ocupam e chamam a atenção no espaço urbano, como o elegante, e não menos polêmico Hotel Unique, Ruy também é o responsável por uma reviravolta arquitetônica e cultural em uma das maiores comunidades carentes da América Latina, o bairro de Heliópolis, Zona Sul de São Paulo.
Há oito anos, representantes da comunidade procuraram Ruy em busca de auxílio para colocar de pé uma série de projetos pequenos para o bairro. O arquiteto então reuniu todas as melhorias em um plano maior que, segundo ele, tinha um nome: a identidade cultural de Heliópolis. Ao longo de quase uma década de trabalho, dezenas de casas foram pintadas, creches e bibliotecas foram montadas e estão em pleno funcionamento, formando um grande Polo Educacional e Cultural na comunidade.
O próximo passo do plano que ajudou Heliópolis a deixar o status de favela para trás, é dado hoje, com a mudança de dezenas de famílias, moradoras de áreas de risco, para 12 prédios em um complexo residencial de 29 edifícios, projetados pelo arquiteto e construídos com investimentos dos governos municipal, estadual e federal. Os “redondinhos” tem quatro andares, são adaptados para portadores de deficiência, contam com espaço de convivência, lixeiras seletivas e playground.
O dom para as artes tem origem confirmada e a disposição para desenhar e discutir a arquitetura, se expressa na velocidade com a qual desenha em uma parede de seu escritório e nas pausas para encadear todas as vírgulas do raciocínio. Ruy Ohtake, 73 anos, conversou com EXAME.com sobre arquitetura democrática, cores, formas e referências.
EXAME.com – O que esse projeto traz de novo para a arquitetura do país?
Ruy Ohtake – Primeiro, que a arquitetura e o urbanismo podem contribuir para tornar a cidade um espaço mais igualitário. E, nessa contribuição, é preciso fazer valer sempre a estética. Arquitetura sem a estética não existe. E está desde o projeto mais simples, como a pintura das casinhas, pois, cada uma delas tem sua particularidade, tem um painel cromático diferente.
Além disso, quando faço cada prédio redondo, não posso construir um muito próximo ao outro. E quando separei cada edifício, me dei conta que seria a primeira vez que uma família de favela teria uma visão ampla, de cima, da comunidade.
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