Santiago do Chile, 28 fev (EFE).- Com uma inusitada mistura de compostos orgânicos que "não estava em seus planos", a empresa chilena Grupo Avance garante ter descoberto uma inovadora fórmula de detergente que funciona como repelente do mosquito Aedes aegypti, portador do zika vírus e da dengue, entre outras doenças.

"Chegamos a isto por meio de uma convergência de trabalhos, nunca buscamos uma solução para o zika. Tínhamos grafeno, pó de cobre, lactona e os juntamos. Isso é tudo", afirmou à Agência Efe o gerente geral do Grupo Avance, o bioquímico Mario Reyes.

Reyes assegura que uma lavagem de roupa com esse detergente é suficiente para evitar a picada do inseto que nos últimos meses mantém em alerta as regiões tropicais da América Latina.

O químico explicou que a ideia foi criar um "bioaditivo" que, ao ser adicionado ao detergente tradicional, protege as peças de roupa das pessoas que moram ou viajam às áreas afetadas pela presença do mosquito portador.

"Produzimos lactona, um inseticida natural não tóxico; desenvolvemos grafeno, que impede a passagem do mosquito, e pó de cobre, um antibacteriano por excelência", detalhou o especialista ao explicar como aconteceu esta descoberta inusitada.

Se for comprovada cientificamente, esta descoberta poderia ser de grande ajuda perante a propagação do zika em países como México, Paraguai, Uruguai e Brasil.

Segundo Mario Reyes, a "barreira biológica" causada pelo uso generalizado do detergente poderia evitar a massificação do contágio, ao cortar o ciclo de reprodução dos mosquitos.

"Para pôr ovos, as fêmeas necessitam de sangue de mamíferos. Se não tem, diminui a população. Essa é a estratégia de controle", comentou.

O laboratório do Grupo Avance, localizado em uma zona industrial ao norte de Santiago, difere muito dos complexos centros de experimentação, e seus cientistas sequer utilizam luvas ou óculos protetores.

Reyes declarou que isto é porque os mais de 20 produtos distribuídos por sua companhia e elaborados por sua equipe de trabalho "são inofensivos para os seres humanos".

"Todos os relatórios toxicológicos demonstram a inocuidade de nossos produtos", garantiu.

Ao falar da comercialização do repelente do mosquito Aedes aegypti, o bioquímico chileno assegurou que seu preço "não superaria o de um detergente comum, porque a quantidade utilizada por lavagem é baixíssima".

Mesmo assim, descartou a distribuição em massa do produto, devido a que o foco de seu laboratório está em "desenvolver tecnologias".

"Nosso músculo comercial é frágil. Só testamos tecnologias e as entregamos. Isso fazemos muito bem", ressaltou.

"É possível que hoje não possamos chegar ao mercado com este detergente, mas o vírus sempre estará presente; portanto, há um mercado", concluiu este químico, que define a si mesmo como um "marginal da ciência". EFE

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