São Paulo - Um novo estudo descobriu que o sono e a atenção equilibram um ao outro.

Todos nós sabemos como é difícil prestar atenção ao trabalho – ou realizar qualquer outra coisa, na verdade – depois de uma noite mal dormida. Assim, não deve surpreender que o sono e a atenção estejam criticamente ligados.

Um novo estudo de neurocientistas do Queensland Brain Institute, na Austrália, revelou por que a capacidade de prestar atenção durante o dia depende de nossa capacidade de fazer o oposto à noite.

Os pesquisadores explicam que o sono e a atenção são “como o yin e o yang” – ou seja, forças opostas que operam juntas para criar harmonia – e que os dois sistemas podem ter evoluído juntos para se regularem mutuamente.

“Na filosofia chinesa, yin e yang são forças contrárias e interdependentes, que dão origem uma à outra, como a luz e a escuridão”, disse a neurocientista Leonie Kirszenblat, da Universidade de Queensland e autora principal do estudo.

“O sono e a atenção parecem estados cerebrais opostos, mas, na realidade, é possível que venham de mecanismos cerebrais semelhantes relacionados a ignorar o mundo externo.”

O sono e a atenção podem se equilibrar, porque a capacidade de prestar atenção depende de dormirmos o suficiente, e o número de horas de sono que necessitamos parece ser determinado por tarefas de aprendizagem e desempenho que requerem atenção.

O sono e a atenção podem ser dois lados da mesma moeda. Leonie Kirszenblat, pesquisadora de neurociência na Universidade de Queensland.

Os pesquisadores analisaram vários estudos do sono feitos com animais, examinando a função do sono em diferentes tipos de espécies.

Os dados revelaram que nos animais com sistema nervoso simples, como os nematódeos, o sono é usado para o desenvolvimento ou como reação a estresse ambiental.

Já no caso dos animais com sistema nervoso complexo – entre os quais figuram os insetos, os humanos e outros mamíferos --, o sono não é usado apenas para o crescimento e como reação a estresse. Em vez disso, é uma atividade cotidiana usada para dar suporte a funções cognitivas, entre elas a atenção seletiva.

Os dados também sugerem que as tarefas que exigem mais atenção estão ligadas à necessidade de mais sono e de sono de alta intensidade.

O sono e a atenção tendem a ser vistos como estados fundamentalmente diferentes, mas parecem envolver um mecanismo comum para suprimir as distrações externas.

“O sono e a atenção podem ser dois lados da mesma moeda”, falou Kirszenblat. “Ambos permitem aos animais processar seletivamente algumas informações e, ao mesmo tempo, ignorar a maioria dos outros estímulos sensórios. Mais amplamente, tendemos a enxergar o sono e o estado desperto como fenômenos fundamentalmente distintos, quando, em termos mecanicistas, é possível sejam muito semelhantes, porque ambos envolvem a supressão do mundo externo.”

O Dr. Bruno van Swinderen, neurocientista da universidade, disse em comunicado que essa é uma maneira revolucionária de pensar o modo como o cérebro funciona durante o sono e no estado desperto.

O estudo foi publicado em dezembro no periódico Trends in Neurosciences.

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