São Paulo – Quando alguém escreve com uma caligrafia ilegível, costuma-se afirmar que o sujeito utilizou uma “letra de médico”. A comparação pode ser exagerada, mas tem um fundo de verdade: muitas vezes, entender a prescrição indicada dos medicamentos após uma consulta se torna uma tarefa heroica. Para o paulista Ricardo Moraes, de 31 anos, isso não foi diferente.

Desde janeiro de 2012, ao lado do primo René e do irmão Marcel, o empreendedor lançou o Memed, uma plataforma destinada para médicos que permite a consulta de informações de mais de 1,2 mil medicamentos fabricados por 46 laboratórios farmacêuticos. Além disso, o serviço também possibilita a criação de uma receita que é impressa e assinada posteriormente pelo profissional da saúde. Em outras palavras, a tal “letra de médico” tem seus dias contados.

Durante seu pitch, nome dado à apresentação das startups aos investidores, Moraes conta que decidiu criar a empresa após não entender as indicações de uma prescrição. A história, no entanto, também possui um tom de brincadeira. Afinal de contas, o médico com quem o empreendedor se consultou era seu irmão, que é dermatologista na cidade de Avaré, terra natal da família.

O irmão de Ricardo Moraes, aliás, se tornou o primeiro usuário do Memed e principal responsável pela validação do negócio. “Quando ele ia para congressos de medicina, conhecia remédios novos, mas não tinha um local para catalogar essas informações. Então, começamos a pensar em um modelo capaz de unir os médicos e a indústria farmacêutica”, afirmou o empreendedor.

Por conta da afinidade familiar, o Memed foi lançado inicialmente para médicos dermatologistas. Após atingir cerca de 20% dos profissionais dessa área no Brasil e registrar quase 2 mil prescrições por mês, com um aumento mensal de 30% dos usuários, os empreendedores irão expandir a plataforma para todas as especialidades da medicina até o final do ano.

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