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"A plataforma celular pode promover a inclusão digital pois hoje dois terços dos pobres no Brasil têm um telefone móvel", diz pesquisador
São Paulo - Alguns anos atrás, foi muito divulgado um estudo que mostrava uma relação direta entre penetração de telefonia móvel e crescimento de Produto Interno Bruto (PIB) de um país. Agora, uma pesquisa realizada pela FGV indica uma correlação entre acesso a meios de comunicação (Internet, telefonias fixa e móvel) e felicidade. O estudo reuniu dados globais do Gallup e, no caso brasileiro, do IBGE, e descobriu que, em média, a cada 10 pontos percentuais de penetração de Internet, telefonia fixa e/ou móvel há um aumento de 2.2 pontos percentuais na felicidade de um país.
"Entretanto, não se pode dizer que inclusão digital traz felicidade ou vice-versa", ressalta Marcelo Neri, pesquisador da FGV que conduziu o estudo e apresentou os dados durante o painel "O crescimento do Brasil e as TICs", durante o 56º Painel Telebrasil, nesta quinta-feira, 30, em Brasília. Neri alertou também que no Brasil, especificamente, a correlação não se apresentou tão claramente. Nos próximos dias, Neri deve tomar posse como presidente do Ipea.
Para esse levantamento, Neri e sua equipe criou um indicador, chamado ITIC (Indicador de Telefonia, Internet e Celular), que mescla as penetrações dos três referidos serviços. Em uma lista de 158 países, o Brasil ocupa a 72a posição, com ITIC de 51,25%. A média mundial é de 49,1%. O ranking é liderado por Suécia (95.8%), Cingapura (95.5%) e Islândia (95.5%). Nos últimos lugares estão República Centro Africana (5.5%), Burundi (5.75%) e Etiópia (8.25%). Se retirada a penetração de telefonia celular, o ITIC dos países africanos cai drasticamente. No caso da República Centro Africana, passa a ser de 0.7%.
Em sua palestra, Neri apresentou mapas do Brasil mostrando a evolução da penetração dos três serviços ao longo da última década, com destaque para a telefonia celular, cujos resultados chamam mais a atenção. "A plataforma celular pode promover a inclusão digital pois hoje dois terços dos pobres no Brasil têm um telefone móvel", disse o pesquisador. Nesse dado, é considerado pobre quem vive com renda mensal familiar per capita abaixo de R$ 150.
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