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Escritor foi o primeiro brasileiro a transformar toda a sua obra em e-books e colocá-la à venda na Amazon
São Paulo - "Ou a indústria editorial se adapta ou morre." A afirmação, com pretensão de sentença, é do escritor best seller Paulo Coelho. O criador de O Alquimista se refere, é claro, à suposta ameaça que os e-books, livros em formato digital, oferecem ao modelo consagrado.
De olho na onda virtual que já começou, ele resolveu surfar: foi o primeiro autor brasileiro a transformar toda a sua obra em e-books e colocá-la à venda na Amazon. Desde janeiro, os adeptos do e-reader Kindle, dispositivo de leitura eletrônica da livraria on-line, podem comprar, por exemplo, a edição virtual de Veronika Decide Morrer por 9,19 dólares (equivalente a 16 reais) - em papel, disponível na Amazon só em inglês, sai por 11,19 dólares (19,50 reais); nas livrarias brasileiras, em português, custa 24,90 reias.
Na Amazon é possível encontrar também e-books em inglês, francês e espanhol assinados pelo "ex-mago" - título que, há alguns anos, ele preteriu pelo de "imortal" da Academia Brasileira de Letras. Na entrevista abaixo, realizada por e-mail, Coelho fala sobre o avanço das obras e dispositivos de leitura em formato digital, critica editores brasileiros e prevê que os celulares darão novo fôlego à literatura.
Veja.com: O senhor foi um dos primeiros escritores a oferecer suas obras em formato digital. Por quê?
Paulo Coelho: Porque o universo de leitura está se ampliando para além dos livros. Hoje em dia, com Twitter, Facebook e meu blog, estou diariamente escrevendo, única e exclusivamente por prazer, para este tipo de plataforma. O e-book é apenas um suporte diferente para o formato clássico.
Veja.com:Qual foi a reação de seu editor quando o senhor optou por vender os direitos digitais de suas obras diretamente para a Amazon?
Coelho: Eu sempre retive os direitos eletrônicos. Vendi os da língua inglesa para a editora HarperCollins, porque ela veio com uma proposta clara e consistente. As outras propostas mostravam um certo desconhecimento do mercado. Como adoro internet, imaginei que em algum momento os suportes que não dependessem do papel iriam terminar vingando. Há tentativas desde a década passada, mas o Kindle foi o primeiro projeto consistente, e resolvi apostar em outras línguas além do inglês. Colocar meus livros em português não foi difícil, mas para conseguir comprar as traduções em outras línguas demorou mais que imaginava. Em primeiro lugar, porque nenhum autor tinha proposto isso. Em segundo, porque embora os editores vejam o potencial do e-reader, ainda não conseguiram saber exatamente quais os próximos passos.
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Renato Francisco Gastaldelo Amaral
O iPad deverá ser uma plataforma muito interessante para revigorar o mercado editorial em todo o mundo...
05.05.2010 | Ler comentário completo |