São Paulo - Os médicos sabiam que algo estava errado quando sua paciente de 40 anos - cujo nome não foi revelado - acordou do procedimento múltiplo de lipoaspiração, implante de silicone e outras reformas gerais. Sentia-se confusa e letárgica e tinha problemas de memória.

Fizeram então dois tipos de tomografia, que revelaram danos na região do núcleo caudado, relacionados à memória e aprendizado. Esse é um risco da anestesia: o acidente foi causado por má oxigenação durante o procedimento.

Após sua aparente recuperação, ela foi mandada para casa. E, então, uma coisa bizarra aconteceu: ela passou a ter pensamentos recorrentes e compulsivos de roubar coisas. Que só se acalmavam quando ela cedia, estendia suas mãos leves e saía com os pertences alheios.

Um dia, ela estava comprando um presente para o amigo de sua filha numa loja e sentiu a vontade irresistível de pegar um item da prateleira - que ela tinha mais que o suficiente para pagar - e enfiar na sua bolsa.

Um segurança viu e ela foi mandada para a delegacia. Acabou liberada quando se provou que o roubo era causado por dano neurológico, não na moral e bons costumes.

Os estranho caso foi publicado no journal BGM Case Reports, onde médicos compartilham suas histórias mais peculiares.

O estudo foi comandado pelo brasileiro Fábio A. Nascimento, da Universidade de Toronto (Canadá), que caiu de estar no Brasil no mesmo dia, acompanhando as tomografias.

A cirurgia foi em 2013. O dano não era permanente e a mulher se recuperou, não roubando mais nada e curtindo seu novo visual.

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