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O novo ministro também pretende melhorar a relação entre a Agência Espacial Brasileira e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Brasília - O físico Marco Antonio Raupp chegou ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação com alguns problemas para resolver a curto prazo. A começar pela retomada da relação com a maior comunidade astronômica do mundo, o Observatório Europeu do Sul (ESO). Durante a gestão de seu antecessor, Aloizio Mercadante, houve um inexplicável silêncio que quase pôs a perder a participação brasileira em um dos mais importantes projetos científicos da atualidade.
O Brasil deveria ter dado uma resposta ao consórcio até 21 de dezembro de 2011, mas de acordo com o diretor da organização europeia, Tim de Zeeuw, as negociações foram completamente ignoradas. Raupp diz ter o aval da presidente Dilma para concluir as negociações.
Raupp também será responsável por fazer decolar a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), criada em 2011 para melhorar a relação entre empresas e pesquisadores, uma forma de estimular a inovação do país e o registro de novas patentes, duas áreas ainda muito imaturas no Brasil.
O novo ministro também pretende melhorar a relação entre a AEB (Agência Espacial Brasileira) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). As duas instituições deveriam atuar de modo complementar, mas acabam batendo a cabeça e desperdiçando dinheiro em projetos que não se integram.
De acordo com Raupp, falta delegar responsabilidades complementares para as duas instituições. "Proponho um Conselho Nacional de Políticas Espaciais presidido pela presidente da República." Segundo o novo ministro, as demandas espaciais do Brasil virariam "assunto de gente grande", com a participação de outros ministros e nutrido por diferentes fontes de recursos, não apenas pelo minúsculo cofre da AEB.
Raupp assume a pasta com a confiança de grande parte da comunidade científica. O novo ministro tem vasta experiência acadêmica. É físico com doutorado em matemática pela Universidade de Chicago, nos EUA. De 1980 a 1985 foi pesquisador titular no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), do qual se tornaria diretor no período 2001-2006.
De 1985 a 1989 foi diretor geral do Inpe. Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 2007 e 2010, e foi nomeado presidente da Agência Espacial Brasileira em 2011.
- O senhor assumiu dizendo que quer dar continuidade a políticas da gestão anterior, mas “fazendo a roda girar mais rápido”. Como isso será feito?
Marco Antonio Raupp: O que eu quis dizer é que não vamos desenhar uma política completamente nova. Passamos um ano construindo uma estratégia de ciência, tecnologia e inovação (CTI) para o Plano Plurianual de Planejamento, entre 2012 e 2015. Vamos acelerar o passo. O desafio é fazer a articulação dos focos que achamos importantes com a viabilidade dos projetos. Não é uma tarefa de salvador da pátria. É tarefa de operário na construção dessas políticas.
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