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São Paulo — Depois de 244 anos, a Encyclopaedia Britannica deixa de ser impressa. A empresa deve manter a edição online enquanto se concentra em produzir material didático para escolas. A notícia foi divulgada na última terça-feira por meio de um comunicado da editora. É o fim de uma obra de referência que era venerada no passado, mas que, nos últimos anos, perdeu espaço para a Wikipedia e outras fontes de informações na web.
O fim da Britannica impressa era previsível. A enciclopédia nasceu em 1768 na Escócia, trocou de donos várias vezes e vinha sendo publicada nos Estados Unidos desde o início do século XX. Durante mais de dois séculos, ela foi valorizada por sua confiabilidade e abrangência.
A obra conta com textos de 4.400 colaboradores, incluindo 110 ganhadores do prêmio Nobel, 20 chefes de estado e 5 presidentes dos Estados Unidos. Era editada por uma equipe de 100 redatores. A última edição tem 32 volumes e custa 1.385 dólares nos Estados Unidos. Há 30 anos, esse seria um investimento sensato para famílias de classe média. Agora, não é mais.
Do CD-ROM à Wikipedia
A Britannica e suas irmãs sofreram uma primeira transformação duas décadas atrás, com a popularização do CD-ROM. A enciclopédia já tinha uma edição digital desde 1981 e ganhou versão em CD-ROM em 1989. Nos anos 90, porém, enciclopédias multimídia como a Encarta, da Microsoft, trouxeram gráficos animados, vídeos e sons, além de fotos e mapas em abundância. Elas passaram a competir com sucesso com a Britannica nesse formato.
Mas o grande choque veio com a ascensão da Wikipedia na última década. A enciclopédia online gratuita oferece um nível de atualidade inexistente em obras impressas ou em CD-ROM. Uma pessoa famosa morre e, poucos minutos depois, o fato é registrado na Wikipedia. Na Britannica impressa, uma atualização desse tipo podia demorar anos.
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