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Steve Jobs e John Sculley nos anos 80: relação complicada
São Paulo — “Você quer passar o resto da vida vendendo água com açúcar ou quer ter uma chance de mudar o mundo?” Com essa frase famosa e genial, Steve Jobs convenceu John Sculley a abandonar seu posto de CEO da Pepsi, em 1983, para dirigir a Apple. Como se sabe, a relação entre os dois se deterioraria com o tempo, culminando, dois anos depois, na saída de Jobs da empresa que fundou. O próprio Sculley foi forçado a deixar a Apple em 1993. Depois disso, montou uma companhia de investimentos e se envolveu na criação de uma dúzia de startups.
Sculley, agora com 73 anos, veio ao Brasil nesta semana para dar uma palestra no evento Info@trends, da revista Info (publicada pela Abril, também dona de EXAME.com). Em entrevista a EXAME.com, ele falou sobre a fórmula que fez da Apple uma das empresas mais inovadoras do planeta. Também relembrou o tempo em que morou em São Paulo, na década de 70. Veja 15 coisas que ele disse.
1 Nunca demiti Steve Jobs
Nunca li o livro de Walter Isaacson. Ler esse livro seria uma experiência dolorosa, mesmo 27 anos depois. Pelo que me disseram, é um livro fantástico, fiel aos fatos. Acho que ele esclarece alguns equívocos, como aquele de que eu teria demitido Steve Jobs. Eu nunca demiti Steve Jobs. Ele foi destituído pelo conselho de administração e acabou se desligando da Apple. Olhando para trás, acho que eu deveria ter tentado trazê-lo de volta depois. A empresa era dele, não minha.
2 A Apple ia bem comigo no comando
Culpam-me por supostos resultados ruins da Apple. Mas os resultados eram bons. A Apple cresceu 1.000% quando eu estava lá. Quando saí, era a maior fabricante de computadores pessoais do mundo e a mais lucrativa. Tínhamos ótimas campanhas publicitárias. Criamos produtos grandiosos, como o PowerBook, e desenvolvemos a área de editoração eletrônica.
3 Criei um novo marketing para o Macintosh
Quando cheguei ao Vale do Silício, em 1982, fui o primeiro CEO vindo da área de marketing lá. Muita gente achou que era uma loucura trazer alguém que não entendia de computadores. Mas Steve Jobs tinha uma visão. Ele achava que a indústria de computadores cresceria e eles teriam de ser vendidos da maneira que a Pepsi e a Coca Cola vendiam refrigerantes. Ele ficou impressionado quando descobriu que a Pepsi havia ultrapassado a Coca em vendas nos Estados Unidos. Minha missão era trazer para a Apple o que chamávamos de marketing de experiências. Quando lançamos o Macintosh, fizemos aquele comercial exibido durante o Super Bowl, em 1984. Nele, não vendíamos o produto. Não falávamos de tecnologia. O que fazíamos era divulgar uma experiência. Criamos uma grande expectativa em relação ao produto.
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