São Paulo -- Parece que o minimalismo elegante da Apple venceu novamente. As primeiras análises do iPad Air, o novo tablet de 9,7 polegadas da empresa, começam a ser publicadas nos Estados Unidos. E elas são muito positivas.

Pessoas que testaram o tablet elogiam a leveza, o desempenho impressionante e a ótima duração da bateria. Já os pontos negativos apontados são basicamente a ausência do leitor de impressões digitais Touch ID e a falta de novidades mais radicais. 

Anunciado na semana passada, o iPad Air começa a ser vendido nos Estados Unidos nesta sexta-feira. Lá, ele custa desde 499 dólares. A data da chegada ao Brasil ainda é incerta. Veja um resumo das análises.

Tablet esbelto

A novidade mais visível no iPad Air é o tamanho. O novo modelo tem a moldura em torno da tela 43% mais estreita que a de seu antecessor. Ele pesa apenas 469 gramas, 28% menos que o iPad 4. E a espessura, 7,5 milímetros, é 20% menor.

Clayton Morris, do noticiário Fox News, aprovou: “Com apenas uma libra de peso, o novo iPad Air impressiona pela leveza. É só ligeiramente mais pesado que o iPad mini. Meu filho pequeno pode andar facilmente pela casa com ele nas mãos.” 

Solidez

Para Brad Molen, que publicou uma extensa análise do iPad Air no blog Engadget, o tablet é resistente, mas pode sofrer arranhões nas arestas (algo que uma capa protetora poderia evitar):

“Apesar do tamanho compacto e da construção levinha, ele não parece nem um pouco frágil. O chassis de alumínio do tipo ‘unibody’ é tão sólido quanto o dos iPads mais antigos. As bordas são mais planas nesta vez. Elas proporcionam mais firmeza ao segurar que as bordas com curvatura gradual de modelos anteriores.”

“A Apple colocou arestas chanfradas entre a moldura da tela e o resto do corpo do tablet. Isso dá, a ele, um aspecto sofisticado. Em nossa experiência, porém, o lado negativo das arestas chanfradas é que elas são susceptíveis a arranhões (por causa disso, meu iPhone 5, por exemplo, já não parece tão perfeito quanto parecia antes)”, acrescenta Molen.

Cameras

Num tablet, a câmera traseira é muito menos importante que num smartphone. Afinal, não há muita gente que gosta de usar um aparelho de 9,7 polegadas para fotografar. A Apple parece ter levado isso em conta, já que praticamente não mexeu na câmera principal do iPad.

A câmera produz imagens “boas mas não impressionantes” na avaliação de Stuart Miles, do site Pocket-Lint. “Continuamos não recomendando usar a câmera do iPad como principal. Mas ela pode servir ‘em caso de emergência’”, diz ele.

Já a câmera frontal, usada para videochamadas via Facetime, Skype e outros serviços similares, ganhou novo sensor com pixels maiores. Os testadores dizem que as imagens captadas por ela são visivelmente melhores que as obtidas com a câmera frontal do iPad 4, especialmente em cenas mal iluminadas.

Desempenho

O iPad Air Usa o processador A7, que estreou no iPhone 5s. É o primeiro chip de 64 bits num smartphone. Seu desempenho impressionou os testadores. “O iPad Air é ridiculamente veloz”, afirma Tim Stevens, da Cnet. “Em poucas palavras, esse novo iPad voa”, diz Darrell Etherington, do site TechCrunch

O site SlashGear verificou que codificar um vídeo no app iMovie, por exemplo, demora, no iPad Air, metade do tempo que demoraria no iPad 4. “No dia a dia, a combinação do iOS 7 com o processador A7 faz com que os apps simplesmente voem”, diz Vincent Nguyen, do SlashGear.

“Os apps são carregados rapidamente, com pouco ou nenhum atraso. Isso acontece até em tarefas pesadas como alternar entre caixas de e-mail carregadas ou jogar games 3D exigentes. Podem-se abrir muitas abas no Safari sem parar para pensar”, detalha Nguyen.

Bateria

Quando o assunto é bateria, sobram elogios para o iPad Air. Walt Mossberg, do site AllThingsD, diz:

“Em meus testes, o iPad Air excedeu de longe a promessa da Apple de 10 horas de autonomia da bateria. Por mais de 12 horas, ele exibiu vídeos em alta definição, sem parar, com a luminosidade da tela em 75%, com o Wi-Fi ligado e e-mails chegando o tempo todo. É a melhor duração de bateria que já observei num tablet.”

Apps

Quem comprar um iPad a partir de agora vai receber, sem custo adicional, seis aplicativos da Apple: Pages, Numbers e Keynote, da série iWork; e iPhoto, iMovie e GarageBand, da série iLife. Esse conjunto vale 45 dólares, a soma dos preços dos apps na App Store. Jim Dalrymple comenta em seu blog The Loop:

“Não é só o fato de os apps serem grátis que impressiona. É também o fato de serem apps realmente bons. Fiz uma palestra em São Francisco na semana passada, depois da apresentação do iPad Air. Então, tive a chance de usar esses apps em situações reais.”

“Trabalhei, no iPad, em minha apresentação criada no Keynote. Fiz anotações no Pages em meu iPhone. Gerenciei pagamentos da minha revista no Numbers, tudo enquanto estava sentado na Union Square apreciando um café. Quando voltei ao hotel e liguei meu Mac, todo o meu trabalho estava disponível no iCloud.”

Faltou o Touch ID

A reclamação número um sobre o iPad Air é ausência do leitor de impressões digitais. “Minha maior decepção com o iPad Air é a falta do Touch ID, o leitor de impressões digitais da Apple. Uma vez que você o usa, nunca mais quer digitar uma senha novamente”, diz Clayton Morris, da Fox News.

Damon Darlin, do New York Times, tem outras reivindicações: “Eu gostaria de poder ler sob luz solar direta na tela do iPad. Se existe um dispositivo que tem vocação para uso ao ar livre, num parque ou praia, é esse (nessas situações, tenho de carregar meu velho Kindle com tela monocromática E Ink).”

“Eu também adoraria ter um teclado personalizável que permitisse mover os sinais @ e # para o teclado mais usado. Há atalhos para eles, é claro. Mas até usuários casuais do Twitter e do Facebook precisam ter acesso mais imediato a esses símbolos”, acrescenta Darlin.

Hora de trocar?

O iPad Air é obviamente atraente, mas não traz nenhuma novidade radical. Tudo que ele faz, o iPad 4 (e mesmo o iPad 2) também faz. É algo a considerar ao decidir se vale a pena trocar um modelo anterior pelo novo.

Em seu blog no Tumblr, David Pogue, que recentemente deixou o New York Times para montar um novo site no Yahoo!, diz: “Ao preço de 500 dólares (nos Estados Unidos), um iPad não precisa ser substituído a cada ano, e nem mesmo a cada dois anos. Se você tem um modelo de 2012 ou 1013, fique com o que você tem.”

O conselho de Pogue parece fazer ainda mais sentido no Brasil, onde os preços do iPad estão entre os mais altos do mundo. Ele prossegue: “Por outro lado, você vai achar o Air um fantástico salto ao futuro se estiver vindo de um iPad da primeira geração; ou se você nunca teve um tablet.”

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