São Paulo - Com recentes previsões colocando a banda larga móvel em foco nos próximos anos, fica cada vez mais complicado não olhar para esse mercado com mais seriedade.

No comércio eletrônico não é diferente, já que as aplicações de mobile commerce têm se tornado uma parte fundamental do negócio para o varejo, embora o Brasil ainda tenha dificuldades para adotar isso por conta do desempenho das redes móveis.

Mesmo assim, em palestra na semana passada para executivos de TI em e-commerce, o gerente da área mobile da Concrete Solutions, Victor Lima, resumiu a tendência: "o futuro do varejo é online, e o futuro do online é móvel".

Não que seja uma migração para realizar compras apenas pelos smartphones. A abordagem precisa ser multiplataforma, para acompanhar o consumidor de maneira agnóstica.

Lima ressaltou a importância de elementos como uma Interface de Programação de Aplicativos (API, na sigla em inglês) amigável e integrada, uso de analytics para determinar variações típicas do universo móvel (como versão de software, dispositivo, ranking em loja de aplicativos) e uso de cloud computing para proporcionar flexibilidade ao lidar com a escala da demanda.

Como tendências, o executivo cita a continuidade do uso de mail marketing, os links contextuais para abrir nos próprios apps, autoatendimento para reduzir custos de SAC e mesmo o uso de notificações na tela do celular.

"Push notification é uma forma bruta, mas é o novo mailmarketing, e isso é importantíssimo, porque o impacto é direto - você manda e vê o pico de acesso", afirma. Ele justifica que o método só é incômodo quando não é relevante, com contexto e personalizado.

Impacto da qualidade das redes móveis

O gerente sênior de TI da loja virtual de departamentos Dafiti, Roberto Heingst, reconhece que a empresa deu passos em falso no começo, em 2011, com propostas de aplicativos móveis que não deram certo.

Em 2013, a companhia conseguiu enxergar retorno ao reformular a plataforma. "Tivemos um experiência única nos últimos seis meses, nunca vivemos algo tão agressivo e tão concreto nas mãos", comemora. O time, que originalmente era de dois funcionários e agora é de 13 pessoas, deverá dobrar até o final do ano.

Além desse problema inicial de plataforma, Heingst cita os problemas da infraestrutura móvel brasileira como desafios a serem transpostos.

"Vamos trabalhar a questão do 3G, o que podemos fazer para baixar um pouco, como trafegar com menos dados", diz. "Nossos sócios alemães ficam desconfortáveis. Quando uma pessoa baixa um app de 10 MB e tem atualizações, o cliente reclama que há consumo de dados", explica, lembrando que muito acesso ainda é feito com Internet pré-paga com franquia de consumo diário e de que há limites técnicos para armazenamento em cache.

Isso significa também que a experiência do usuário precisa ser adequada para esse cenário de conexões limitadas.

"A gente tinha um aplicativo de Android que não funcionava, era lento. Suprimimos 18 mil linhas de código, a gente tornou o app de 18 MB para 7 MB, e com performance melhor", disse o executivo da Dafit, que teve como parceira no projeto a Concrete.

Esse processo de simplificação na API também vale para tornar o aplicativo único para smartphone e tablet, economizando trabalho e permitindo um time-to-market mais forte.

Uma dos especialistas em mobile marketing que reformularam a plataforma móvel da Dafit, Isabella Maringoni, acredita que o problema de infraestrutura será sanado. "O 3G varia a cada país. O Brasil não está pronto, mas tá ficando. O problema impacta na nossa performance, às vezes vemos o aplicativo funcionando no Wi-FI, mas não no 3G", reconhece.

De olho na Microsoft

Por conta de tantas variantes, ela recomenda exaustivos testes da plataforma, inclusive entre próprios funcionários, antes de submeter o app às lojas. Depois dessa etapa, é importante ficar de olho nos comentários e reviews de usuários na Google Play e App Store.

"É uma monitoria que tem de ser feita diariamente, além das mídias sociais e do SAC". Nesses casos, é importante agir rápido em situações de emergência.

"O processo que desenvolvemos foi muito benéfico para a empresa, hoje temos reuniões diárias, se tem problema a gente resolve na hora", declara Isabela.

Ela ressalta ainda que, apesar da dominância do Google no mercado móvel brasileiro, há uma tendência de consolidação do terceiro player, a Microsoft. "A gente quer aumentar a base instalada de iOS e Android, mas nada impede de olharmos para o Windows Phone", diz ela. "Estamos olhando com atenção, porque vemos que o mercado está se movendo."

Roberto Heingst concorda. "Há muitos contatos de fornecedor perguntando isso (o desenvolvimento de uma versão do app da Dafit para Windows Phone). Acredito que não está maduro ainda, mas acho que botamos o pé para iniciar isso no final do ano ou início do ano que vem", declarou.

"Acho que o Windows Phone conseguiu se reposicionar nos últimos dois anos. O problema é ter profissional especializado, vai faltar braço no Brasil pela demanda."

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