São Paulo —  A bitcoin, moeda virtual que virou mania entre investidores e geeks, já tem seus primeiros magnatas declarados. Os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, conhecidos pelo conflito com Mark Zuckerberg nos primórdios do Facebook (retratado no filme “A rede social”), dizem ter mais de 11 milhões de dólares em bitcoins.

O número foi divulgado pelo New York Times e, claro, não é exato. A cotação da bitcoin no mercado tem flutuado em ritmo de montanha russa. Nesta manhã, estava em 72 dólares, depois de ter chegado a 230 dólares há poucos dias.

Mesmo com essa incerteza, pode-se afirmar que os Winklevoss têm a maior fortuna declarada nessa moeda virtual, já que esse é um mercado que se caracteriza pelo anonimato. Mas eles mesmos dizem que deve haver investidores anônimos com volume maior – gente que comprou as bitcoins em seu início, quando valiam centavos.

Não há muitas coisas que possam ser pagas em bitcoins. Os Winklevoss dizem que usaram a moeda para pagar serviços de um programador ucraniano. Fora isso, eles guardam o dinheiro virtual à espera da valorização, que tem sido generosa. No início deste ano, uma bitcoin valia apenas 13 dólares.

Bitcoins são geradas por algoritmos matemáticos. Sua invenção é atribuída ao japonês Satoshi Nakamoto. Mas não há uma pessoa real com esse nome. O pseudônimo tanto pode se referir a um indivíduo como a um grupo. O misterioso Nakamoto lançou o projeto em 2009 e, aparentemente, se afastou dele no ano seguinte.

Sem nenhum Banco Central para administrá-la, a bitcoin funciona de forma descentralizada. É emitida por meio de cálculos matemáticos feitos em computadores espalhados pelo mundo. Pode ser negociada em casas de câmbio especializadas, como a japonesa Mt. Gox.

O comprador de uma bitcoin recebe um código, que pode ficar armazenado num servidor na internet. Mas os irmãos Winklevoss dizem que preferem guardar suas bitcoins em pen drives, que são trancados em cofres. É uma precaução contra possíveis ataques de hackers às carteiras virtuais online.

Os gêmeos do Facebook também poderiam ter optado por bitcoins físicas – em células ou moedas. Elas trazem um adesivo que, quanto removido, revela o código que constitui o dinheiro virtual. Essas moedas são visualmente atraentes, mas, obviamente, não são tão práticas para serem guardadas. 

Qualquer que seja o formato, a moeda desperta opiniões radicais. Alguns especialistas em finanças dizem que o fenômeno bitcoin é uma bolha que pode estourar a qualquer momento. Segundo essa visão, não há valor intrínseco nessa moeda – só especulação.

Mas investidores como os Winklevoss veem a bitcoin de forma diferente. Para eles, a moeda virtual é inevitável. Vai se espalhar e passará a ser aceita em cada vez mais transações. E há quem diga que seu valor vai passar de 2 mil dólares.

Vejamos qual é o raciocínio por trás disso. O algoritmo que gera as bitcoins impõe um limite de 21 milhões delas em circulação. No momento, estima-se que 11 milhões já tenham sido emitidas.

Quanto mais o limite de 21 milhões se aproxima, mais vai diminuir o ritmo de emissão de novas moedas. Para os investidores, a combinação de demanda crescente com emissões cada vez menores só pode resultar em valorização. É a lei do mercado. 

Mas há outras questões que podem abalar essa trajetória ascendente. Primeiro, existe o risco de ataques de hackers a servidores que processam bitcoins. Eles podem tentar roubar os códigos, fazendo uma espécie de assalto a banco virtual. 

Nesta semana, circulou a informação de que a casa de câmbio Mt. Gox, a maior do mundo em transações com bitcoins, havia sido atacada. A empresa negou, mas a cotação da moeda despencou.

Em segundo lugar, por ser um meio de pagamento que proporciona anonimato, as bitcoins são usadas também para pagar coisas ilegais. Até agora os governos têm basicamente deixado as bitcoins em paz. Parece ser tecnicamente impossível proibi-las totalmente. Mas entraves legais podem dificultar sua adoção de forma mais ampla no comércio.

De qualquer modo, os Winklevoss devem estar habituados a investimentos arriscados. Quando estudavam em Harvard, eles criaram a rede social ConnectU e recrutaram o também estudante Zuckerberg para ajudá-los. Como se sabe, Zuckerberg, então, deixou os Winklevoss de lado e fundou o Facebook. 

No processo judicial que se seguiu, os gêmeos acusaram Zuckerberg de ter copiado a ideia deles. Encerraram a disputa com 20 milhões de dólares em dinheiro e ações do Facebook hoje avaliadas em 200 milhões de dólares. Talvez eles se deem bem com as bitcoins também.

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