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São Paulo - Em 2009, a chamada fotografia tradicional, baseada no uso de filmes sensíveis à luz, foi ferida aparentemente de morte. A gigante Kodak anunciou o encerramento da fabricação do filme Kodachrome, que fora sinônimo de fotografia nas décadas antereriores, usado por nove em cada dez máquinas. Dois anos antes, a Polaroid havia desistido de produzir filmes e máquina de revelação instantâna (a decisão seria revertida mais tarde). A razão do ocaso do modelo era clara: a ascensão irresistível da fotografia digital, que aposenta o filme e armazena imagens em milhões de bits. A fotografia analógica, contudo, não morreu. E como tudo que é muito velho parece novo, ela ressurge, em pequena escala, é verdade, embalada por modelos de máquinas retrôs e pelos cliques de gente velha e gente nova.
A razão do ressurgimento da máquina que usa filme e exige revelação pode ser esclarecida pelas palavras de André Takeda, de 38 anos, diretor de criação e primeiro embaixador da Lomographic Society no Brasil, grupo que reúne amantes das fotografias feitas com as câmeras da marca russa Lomo PLC, criada em 1914. "O retorno da fotografia analógica pode ser comparado ao retorno do disco de vinil. Ambos são palpáveis: eu vejo o rolo fotográfico, posso tocar o negativo, assim como o LP. Com os arquivos digitais, isso é impossível." Com os vinis, ouvem-se os ruídos. Com a fotografia digital recuperam-se as imperfeições. Essa é outra razão a animar os amantes das câmeras retrôs, que, ao contrário de suas descententes digitais, não permitem prever o resultado dos cliques. "Curiosamente, as pessoas buscam no passado uma nova forma de capturar e expor a imagens que veem".
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