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Comércio digital | 06/02/2012 07:09

'Eu compro música na internet'

Crescimento da venda de música digital no país prova que a ideia de que brasileiros só baixam música ilegalmente está ficando velha

James Della Valle, de
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Michal Czerwonka/Getty Images

Ouvir música em MP3 Player

Hoje, a música digital está dividida em dois modelos: download e streaming. O primeiro é baseado na venda direta. A segunda opção é encarada como o futuro do mercado

O mercado brasileiro de música digital pode não ser dos mais proeminentes do planeta, principalmente se comparado aos 4,6 bilhões de dólares arrecadados ao redor do mundo em 2010. Contudo, números provam que a ideia de que todos baixam música ilegalmente no país está ficando velha.

Em 2006, segundo dados oficiais da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), o faturamento com a venda de fonogramas digitais era de apenas 8,5 milhões de reais, número que saltou para 54 milhões em 2010 – um avanço de 535%. A servir esse público que voltou (ou começou) a pagar por música estão lojas virtuais como a Terra Sonora e a UOL Megastore, além de operadoras de telefonia e serviços de streaming.

Apesar da boa perspectiva, é importante lembrar que, desde sua chegada ao país, esse mercado passou por um caminho tortuoso, permeado por problemas como pirataria ou mesmo a falta de confiança do consumidor em relação à compra on-line. “O modelo de venda de música por download chegou ao Brasil na década passada e encontrou um mercado ainda pouco maduro, muito prejudicado pela pirataria”, aponta Rodrigo Flores, diretor de conteúdo da UOL Megastore. “Felizmente, a situação atual é outra. O cliente já aceita pagar por músicas e vídeos sob demanda”, diz o executivo sinalizando que o setor, apesar de novo, está em franca expansão.

Hoje, a indústria da música digital está dividida em dois modelos distintos: download e streaming. O primeiro é baseado na venda direta de arquivos MP3, que são baixados e armazenados em dispositivos eletrônicos do usuário, como PCs, celulares, tablets ou dispositivos dedicados à reprodução dos fonogramas.

A segunda opção é encarada por muitos como o futuro do mercado. Baseado em assinaturas mensais, o serviço de streaming permite que as pessoas escutem suas músicas em trânsito e a qualquer momento – desde que tenham acesso à internet.

O modelo tem muito mais força em aparelhos como computadores e smartphones, que geralmente estão conectados à internet. “Acredito na capacidade. Ele virou uma tendência que pode ajudar as companhias a cultivarem o hábito de pagar por música na internet, algo que não faz parte da cultura dos brasileiros”, afirma Paulo Lima, diretor comercial da empresa iMusica, especializada em distribuição e gerenciamento de conteúdo digital – que, aliás, fornece músicas de grupos nacionais independentes para gigantes como a Apple e Amazon.

De acordo com Lima, o setor que aproveita melhor essas duas opções é o de telefonia celular, que tem um público acostumado com o pagamento por pequenos itens virtuais, como jogos, e serviços. “Os usuários de telefones móveis sempre pagaram por conteúdo. Começou com ringtones, que eram caros, e agora os serviços de música”, aponta. “É interessante notar que boa parte das classes C, D e E, que geralmente não tem acesso à banda larga, compra muita música para ouvir em seus aparelhos”, diz.

Toda essa facilidade vem de um detalhe descoberto há tempos pelas operadoras: a possibilidade de fazer as cobranças pelos serviços junto com as contas enviadas aos consumidores, o que facilita a transação. “É possível incluir o valor dos gastos em uma fatura, sem a necessidade de pagar com um cartão de crédito ou boleto separado”, diz o executivo.

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