São Paulo – As filas gigantescas causadas pelas catracas do metrô podem estar com seus dias contados. A empresa brasileira Digicon criou uma tecnologia de controle de acesso que permite que os pedestres entrem e saiam livremente de estabelecimentos públicos e privados.

Em vez de ficarem fechadas e se abrirem com o uso de uma credencial, como um bilhete, as catracas ficam sempre abertas e se fecham caso alguém use uma credencial inválida ou sem crédito. Quem tentar passar sem pagar também será rapidamente bloqueado.

Chamado de dFlow, o conceito levou dois anos para ser desenvolvido e recebeu um investimento de dois milhões de reais. A tecnologia usa de sensores de profundidade 3D para bloquear ou liberar a passagem das pessoas.

De acordo com a Digicon, o equipamento tem a capacidade de rastrear mais de 50 usuários por minuto – os dispositivos tradicionais podem comportar fluxos de 20 usuários por minuto.

Para que o acesso feche apenas quando o usuário não é autorizado, a empresa precisou utilizar um sensor com um número quase infinito de feixes virtuais que abrangem toda a região de passagem -- que vai de 50 centímetros a 90 centímetros. Desse modo, a tecnologia segue o usuário de modo contínuo e gera informações de posição e tempo, controlando a velocidade do fechamento de portas.

“O hardware de controle é muito rápido e os algoritmos, muito precisos”, explica Peter Elbling, CEO da Digicon, em um comunicado. Segundo ele, a novidade se mostrou capaz de barrar os usuários “caronas”, aqueles que tentam passar pela catraca sem pagar com outra pessoa.

A identificação dos usuários pode ser feita a partir de cores. Por exemplo, uma credencial verde pode identificar a pessoa como um funcionário e a vermelha como um visitante. São mais de 16 milhões de cores que podem ajudar no controle do acesso. 

Além disso, o dFlow é capaz de se integrar com outros recursos de identificação mais tradicionais, como o código de barras e cartões de proximidade Mifare (o mesmo usado nos metrôs de São Paulo), e outros mais novos, como a biometria de reconhecimento facial.

Segundo a empresa, a inovação poderá ser implantada em locais de grande fluxo de pessoas, como estádios, escolas, aeroportos e estações de transporte público. Elbling disse que a novidade surgiu quando a equipe de engenharia questionou o fato de os acessos estarem sempre fechados.

“Isso não fazia muito sentido, afinal a maioria de usuários tem credenciais válidas de entrada e não deveriam ser bloqueados”, explica. Outro benefício do conceito de livre passagem é o fato de que os investimentos em bloqueios de acesso podem ser reduzidos, garantindo uma performance mais confortável e segura para o cliente.

"Quando associamos isto a vantagens operacionais como redução de uso de energia, de manutenção de leitores e controladores, entendemos que o dFlow é uma solução mais econômica", explica o CEO em entrevista para a EXAME.com.

Segundo a Digicon, o dFlow será apresentado no Brasil ainda neste mês e tem lançamento marcado para o exterior em abril. 

Tópicos: Inovação, Mobilidade urbana, Tecnologia, Transporte público