San Francisco - A oferta de US$ 2,3 bilhões da Facebook pela Oculus VR deixou os 9.522 financiadores da campanha on-line de arrecadação de fundos da startup com camisas e produtos de teste.

A princípio, a Oculus arrecadou dinheiro na Kickstarter, um serviço que recompensa os doadores com versões de teste dos seus bens e outras compensações simbólicas.

Sites mais novos de crowdfunding (financiamento coletivo) estão dando aos investidores a chance de ganharem algo mais: dinheiro. A CircleUp Network oferece ações em empresas privadas e a Funding Circle permite aos investidores comprar dívida de empresas. Pessoas com formação universitária podem recorrer à Social Finance Inc. para refinanciarem empréstimos com ajuda de ex-alunos.

O mercado de crowdfunding está decolando, alterando a forma em que o capital é usado, à medida que projetos, empresas e indivíduos acodem à internet para arrecadarem fundos em vez de recorrerem a bancos e grandes empresas financeiras. Os reguladores também estão intervindo – a um ritmo mesurado – relaxando restrições que até agora têm limitado a forma em que empresas arrecadam dinheiro e quem pode ser um investidor.

“Será um grande mercado e transformará a forma em que muitas pequenas empresas se financiam”, disse Arun Sundararajan, professor da Leonard N. Stern School of Business da Universidade de Nova York.

Parques de skate

Uma pioneira do crowdfunding é a Kickstarter, com sede em Nova York, que permite a cineastas, fabricantes de hardware e designers de parques de skate arrecadar dinheiro de simpatizantes. Mais de 59.000 projetos arrecadaram um total de mais de US$ 1 bilhão desde a estreia do site há cinco anos. A rival Indiegogo Inc. contribuiu com milhões de dólares para milhares de campanhas no mundo inteiro desde 2008, segundo seu site.

A CircleUp representa um modelo diferente, onde os participantes são encorajados a partilhar os lucros. Em 26 de março, um dia depois da oferta da Facebook pela Oculus, a CircleUp, com sede em San Francisco, disse que arrecadou US$ 14 milhões em financiamento de empreendimentos para expandir o seu serviço que permite aos contribuintes online comprarem ações em startups.

Conforme a legislação atual, somente investidores acreditados – como grandes instituições e indivíduos com fortuna pessoal superior a US$ 1 milhão – são elegíveis para adquirirem ações em startups. Esse requerimento está preparado para mudar quando a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA instituir regras da Lei de Impulso Inicial Às Nossas Startups (JOBS).

A Lei JOBS, assinada pelo presidente americano Barack Obama em 2012, permitiria a investidores não acreditados colocar uma pequena porção da sua fortuna pessoal em startups que usam crowdfunding, e as empresas poderiam arrecadar até US$ 1 milhão por ano através das campanhas. As regras propostas requereriam que o crowdfunding fosse realizado on-line por meio de uma entidade que forneça um fórum para que os investidores façam perguntas e encontrem informações sobre uma oferta.

Oportunidades de crédito

O crowdfunding também está transformando os mercados de dívidas. A LendingClub Corp. e a Prosper Marketplace Inc. cresceram dando a indivíduos a possibilidade de comprarem partes de empréstimos a consumidores on-line. A Social Finance, ou SoFi, permite que pessoas com formação universitária refinanciem dívidas a taxas menores convertendo ex-alunos de 2.200 instituições educacionais em credores. Os investidores ganham dinheiro quando os empréstimos são amortizados.

Sam Hodges se formou na Universidade de Stanford com dois mestrados em 2011. Ele também tinha dezenas de milhares de dólares em dívidas a pagar ao governo e a instituições privadas. Com a SoFi, a taxa de juros de Hodges encolheu 25 por cento para cerca de 6 por cento, e o número de pagamentos que ele fazia mensalmente foi reduzido de cinco para um.

“Houve uma retirada estrutural dos bancos e de outros credores de muitas oportunidades de crédito”, disse Hodges. “E existe esse apetite dos investidores por oportunidades para fazer investimentos diretos, em particular aqueles com rendimentos”.

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