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Brasil na luneta – Com exceção de Mike Krieger e talvez seis ou sete desenvolvedores espalhados pelo mundo, os brasileiros estão à margem desta revolução. O baiano Leonardo Copello, fundador da fábrica de apps uTouchLabs, com sede em Salvador, diz que o mercado nacional está mais focado em criar aplicativos sob encomenda que desenvolver serviços inovadores. “Quando olhamos a participação de startups de diferentes países na economia dos apps, o Brasil só pode ser visto com uma luneta”, diz Copello. O desenvolvedor afirma que, no Brasil, as fabricantes de apps vivem de produzir aplicações para terceiros. “Uma grande marca de cerveja encomenda um app, uma empresa de mídia solicita outro e assim nosso mercado caminha. Por aqui, pouca gente faz app voltado para o usuário final”, afirma.
O próprio Copello é exceção à teoria que defende. Em 2010, a uTouchLabs lançou na App Store “Ask The Octopus”, um despretencioso aplicativo em que o usuário digita uma pergunta qualquer como “devo ir jantar num restaurante japonês ou italiano?” e um molusco virtual escolhe aleatoriamente uma das opções. O app foi lançado no auge do buzz causado pelas previsões do polvo alemão Paul, celebridade global durante a Copa de Futebol da África do Sul. “Nós cobrávamos um dólar por download e o app foi baixado 100 mil vezes no mundo todo. O timing do lançamento foi fundamental para o sucesso”, lembra Copello.
HTML 5 na espreita - Mal se sobrepôs à tradicional indústria de software, a economia dos apps vê no horizonte a ameaça do HTML 5. Atualmente, os aplicativos são desenvolvidos e desenhados nas linguagens e padrões definidos por cada plataforma. Um game como Angry Birds, da Rovio, por exemplo, foi escrito em Objective C para rodar em iOS e explora as características de hardware do iPhone. O mesmo jogo passou por um ciclo completo de desenvolvimento e programação em Java para funcionar em smartphones Android. BlackBerry? Windows Phone? Sim, é preciso começar do zero mais uma vez, adaptando o app aos novos tamanhos de tela e características de hardware. Todo esse esforço em criar apps “nativos” para cada sistema móvel consome uma commodity cara e escassa: horas de trabalho de desenvolvedores. “O avanço do HTML 5 mudaria esse cenário radicalmente e acabaria com os apps como nós os conhecemos”, diz Rakji Gero, da Media Agility.
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