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Startups | 16/08/2012 15:17

Como criar um app de US$ 1 bilhão

Como a ascensão de Instagram e Evernote ao patamar de startups de US$ 1 bilhão modificou a indústria do software e fortaleceu a tese de que a web está condenada a morrer

Felipe Zmoginski, de

O primeiro, mais óbvio, é simplesmente vender o app. “Como os valores são baixos, entre 99 cents e dois dólares, os usuários compram por impulso”, explica Peter Broekroelofs, da desenvolvedora holandesa especializada em apps Service2Media. Na App Store, por exemplo, 23% dos aplicativos baixados são de softwares pagos. Desde que foi criada, em 2008, a loja já repassou mais de 5 bilhões de dólares a desenvolvedores. Outro método bastante tradicional é a veiculação de publicidade. Segundo a consultoria americana Strategic Display, a publicidade nos apps movimentará 2,9 bilhões de dólares só este ano.

O modelo mais bem sucedido, no entanto, é o freemium, explorado por apps como Draw Something, em que o usuário baixa o software de graça e paga se quiser recursos “premium”, como mais cores para desenhar ou bombinhas que aumentam as chances de adivinhar os desenhos enviados pelos amigos. Há ainda a monetização pela venda de “virtual goods”, em que o usuário usa dinheiro de verdade para comprar bens imaginários, como um tratorzinho virtual que ara as terras pixelizadas do Farmville. Há ainda aplicativos que vendem assinaturas de serviços, como faz o software de música Shazam, que cobra cinco dólares ao ano para dar acesso a um acervo de milhares músicas disponíveis para execução por streaming e compartilhamento social.

Recentemente, o veterano Foursquare – foi lançado no longínquo março de 2009 – estreou o modelo “offer and survey” de monetizar um aplicativo. Nos Estados Unidos, quem faz checkin em um bar ou restaurante pode ser surpreendido com a notificação de que ele acaba de ganhar um desconto de cinco dólares numa cerveja ou na sobremesa, desde que pague a conta com seu cartão American Express, parceiro do Foursquare na iniciativa. “A operadora nos repassa parte da receita que obtém graças a nosso app e podemos monetizar parte dos 19 milhões de usuários que possuímos”, disse a INFO Holger Luedorf, vice-presidente de desenvolvimento de negócios do Foursquare.

Há um ano, o Yahoo! ofereceu 100 milhões de dólares pelo Foursquare, mas a aquisição não foi concretizada. Hoje, apenas doze meses após a oferta do Yahoo!, a start-up é avaliada em US$ 500 milhões. “Não estamos interessados em vender nossa plataforma, nosso foco é crescer em número de usuários e receita”, afirma Luedorf. Para o executivo, empreendedores da economia dos apps devem ser pacientes. “Quando o Facebook ainda era uma pequena startup, soube resistir às tentações do mercado e hoje é uma empresa muito maior do que imaginávamos no passado”, justifica. O diretor do fundo Meritech Paul Madera, o mesmo que acaba de investir no Evernote e, em 2006, teve a sacada de apostar suas fichas num certo Facebook, alerta para o fato de apenas poucos apps merecerem as cifras que estão captando no mercado financeiro. “Claramente há muitos apps sobrevalorizados. São bem poucas as startups que valerão mais do que 500 milhões de dólares em alguns anos”, disse Madera a INFO.

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