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São Paulo - “Os homens de negócios e os intelectuais haviam lhe garantido que a revolução começara a declinar. O professor acreditou em tais informações e escreveu um artigo sustentando essa opinião. Entretanto, continuou a viajar pelo país, visitando cidades e aldeias.
Com assombro, verificou então que a revolução parecia entrar em nova fase de desenvolvimento”. O trecho em que o escritor americano John Reed descreve a percepção de um pesquisador sobre o andamento da Revolução Russa, no clássico “Dez dias que abalaram o mundo”, está incrivelmente alinhado com os fenômenos que sacudiram o Vale do Silício entre os dias 9 e 19 de abril deste ano, apesar dos quase cem anos e nove mil quilômetros que separam a Califórnia dos geeks da São Peterburgo czarista.
Afinal, correram exatos dez dias entre o surpreendente anúncio da venda do app de fotos Instagram por uma cifra bilionária ao Facebook e a divulgação, pela publicação Business Insider, de que outra startup, o Evernote, fechara a venda de 10% de seu capital por 100 milhões de dólares, alcançando o mesmo valor de mercado do aplicativo de fotos criado pelo brasileiro Mike Krieger e seu colega americano Kevin Systron. Um mês antes, analistas previam o esfriamento da economia dos aplicativos, impactada pelo recrudescimento da recessão americana e menor fluxo de recursos para os fundos que suportam os fabricantes de apps.
Assim como o professor ouvido por Reed, os analistas de Wall Street estavam errados. Em mais uma coincidência, coube a um russo demonstrar isso. Phil Libin, um jovem de 35 anos que emigrou com a família em 1978 da então União Soviética, foi quem assinou a cessão de parte do capital de sua startup, a Evernote, ao fundo Meritech,inaugurando o segundo app de um bilhão de dólares da história. Ao contrário dos bolcheviques, Libin não descende de camponeses ou operários, mas de uma aristocrata família russa que fugiu do comunismo para fazer a América.
“Sou a primeira pessoa em várias gerações dos Libin a não ter um diploma, não tocar nenhum instrumento ou ser um campeão de xadrez”, disse a INFO o fundador e CEO do Evernote, que abandonou a prestigiosa Universidade de Boston para dedicar-se integralmente ao desenvolvimento do app que permite fazer anotações por texto, voz ou imagem e sincronizá-las na nuvem. “Queremos ser o cérebro virtual das pessoas”, diz Libin.
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