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17/07/2013 10:37

Coletivo Mídia Ninja usa 4G para transmitir manifestações

Fernando Paiva, da

Cada repórter registra o evento de um smartphone realizando streaming ao vivo, pelo app Twitcasting. No Rio e em São Paulo a rede 4G foi usada várias vezes, informa o grupo. O vídeo é acessível ao vivo na Internet, com links divulgados na página do grupo no Facebook e espalhados rapidamente pelo boca a boca virtual. São milhares de espectadores, em uma audiência que cresce a cada transmissão. Por vezes o streaming trava, por conta de congestionamento da rede móvel, mas nada que atrapalhe a narrativa. O que importa ali é o conteúdo.

Mais do que uma alusão à figura do habilidoso espião oriental, Ninja é uma sigla: Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação. "Buscamos apresentar uma mídia que possa oferecer liberdade radical de expressão, agilidade e a possibilidade de criar coletivamente narrativas diferentes do que a antiga mídia pode oferecer", descreve o membro do coletivo. É exatamente isso que se vê: uma reportagem improvisada, espontânea, sem limitação de tempo, sem break comercial, com independência editorial e filmada de dentro dos protestos, afinal, o ninja é também um manifestante.

Smartphones

Por email, o porta-voz do grupo cita aparelhos Sony Xperia e iPhone (que no Brasil não opera na rede 4G) entre os usados para as transmissões. Sobre o papel dos smartphones na organização e cobertura de protestos nos dias de hoje, escreve: "Os smartphones são ferramentas formidáveis para o registro e a difusão de tudo que está acontecendo nas manifestações. Eles transformam seu usuário em um potencial olho público, oferecendo contra-informação ao senso comum e ao que é passado pelos olhares distantes da dita 'grande imprensa'. Eles são catalisadores não apenas da mídia independente, mas também da autonomia de comunicação entre ativistas."

O Mídia Ninja é composto hoje por um núcleo duro de 25 colaboradores, entre editores, redatores, social media, videomakers e fotógrafos, espalhados por todo o Brasil. E há centenas de outras pessoas inscritas para participar. Sua proposta é montar uma rede de mídia independente com abrangência nacional.

Além do uso de redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram, Flickr, Tumblr e Google+, prometem criar um site próprio, "para buscar autonomia editorial, dar conta de organizar o fluxo de pessoas e pautas, e buscar novos formatos para o financiamento da rede", explicam. Uma das possibilidades seria o financiamento do projeto pelos próprios leitores, tal como já fazem alguns jornalistas pelo mundo.

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