São Paulo - O primeiro produto fruto da parceria entre Claro e Bradesco em pagamentos móveis é o "Meu Dinheiro Claro", um cartão de débito pré-pago no celular que começa a ser testado esta semana em quatro cidades brasileiras: Goiânia/GO, São João de Meriti/RJ, Belford Roxo/RJ e Duque de Caxias/RJ.

Essas cidades foram escolhidas por terem baixo índice de bancarização e alto market share da Claro. No ano que vem o serviço será expandido para todo o País. Internamente, a operadora trabalha com um horizonte de dois anos para alcançar o break-even com esse produto.

A solução permite que o usuário faça compras em estabelecimentos atendidos pela rede da Cielo, realize transferências entre clientes do serviço e faça saques em qualquer terminal de autoatendimento do Bradesco ou do Banco 24 Horas. Tudo isso é feito através de comandos pelo celular, usando a tecnologia USSD, presente em qualquer modelo de aparelho, até os mais simples. No caso de saque, o usuário recebe um número que funciona como um token para a retirada no caixa eletrônico. Os depósitos, por sua vez, são feitos na rede de correspondentes bancários do banco, a Bradesco Expresso.

Qualquer assinante da Claro nessas cidades pode aderir ao serviço. Basta comparecer a uma rede da operadora munido de CPF, RG e comprovante de residência. Depois disso, o assinante recebe por SMS as instruções para a conclusão do cadastro. Também é entregue um cartão de plástico do serviço, que pode substituir o celular em pagamentos e saques.

A adesão é gratuita. A Claro cobra uma tarifa de R$ 5 por cada saque e uma de R$ 1,5 por cada transferência. O valor integral das tarifas é revertido em créditos para telefonia celular do assinante.

Com esse lançamento, a Claro começa a competir com Vivo e Oi, que iniciaram serviços similares este ano, o Zuum e o Oi Carteira, respectivamente.

Análise

Por enquanto, os serviços de m-payment criados pelas operadoras permitem transferências apenas entre assinantes da mesma base. Isso vai mudar depois que o Banco Central publicar a sua regulamentação sobre pagamentos móveis, o que deve acontecer até o fim do ano. Uma das diretrizes definidas pela presidente Dilma Rousseff é de que os serviços sejam interoperáveis. Será um caso raro no mundo: na maioria dos mercados onde m-payment decolou em países emergentes, a interoperabilidade não é obrigatória. Contudo, geralmente são mercados onde há grande concentração de base de telefonia celular em uma única operadora.

No Brasil, com a forte competição e a divisão quase igualitária entre quatro teles, a interoperabilidade é uma característica essencial para o sucesso do m-payment.

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