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Censura | 05/07/2012 18:41

Cisco proíbe pornografia em redes domésticas e causa revolta

A Cisco vem causando revolta nos usuários por proibir o acesso a sites pornográficos e outros conteúdos através de seus roteadores domésticos

Divulgação

Roteador Cisco Linksys E4500

A Cisco chegou a ter uma política de "privacidade" que autorizava a empresa a rastrear usuários de roteadores como o Linksys E4500

São Paulo — O fabricante do equipamento usado para acesso à internet pode decidir que tipo de site as pessoas estão autorizadas a visitar? É difícil encontrar alguém que não responda a essa pergunta com um sonoro “não”. Mas a Cisco proibiu os usuários de alguns dos seus roteadores domésticos de visitar sites pornográficos, enviar certos tipos de e-mail e encorajar condutas que violem alguma lei, entre outras coisas.

A história começou com uma atualização do software residente nos roteadores, o firmware. Ela foi enviada na semana passada a alguns modelos para uso doméstico, como EA2700, E3500 e EA4500. São aparelhos da marca Linksys, que pertence à Cisco. Eles saem da fábrica com uma opção de atualização automática do firmware. A nova versão desse software permite que o usuário altere configurações do roteador à distância, via internet. O acesso pode, inclusive, ser feito por meio de apps em smartphones.

Esse acesso é feito através de um serviço na nuvem, o Cisco Connect Cloud. Para usá-lo, a pessoa deve concordar com seus termos de serviço. E esse texto tem uma cláusula que institui a censura. Ela proíbe, por exemplo, o envio de mensagens de propaganda. Se o usuário é um profissional que divulga seus serviços por e-mail, por exemplo, ele estará violando as normas da Cisco.

Se ele for um ativista pregando a desobediência civil, também estará em desacordo com o contrato, já que ele proíbe o uso do roteador para encorajar o descumprimento de lei. E, sim, está escrito lá que o serviço não pode ser usado para fins “obscenos ou pornográficos”. O texto ameaça o usuário dizendo que seu acesso ao Cisco Connect Cloud pode ser cancelado se as normas forem violadas.

Mas não é só isso. O site ExtremeTech diz que o usuário ainda tinha de concordar com uma “política de privacidade suplementar”. Ela dizia que a empresa poderia rastrear o usuário e obter várias informações sobre suas atividades na internet, incluindo seu histórico de navegação na web. Aparentemente, essa parte da política de privacidade foi, depois, suprimida do texto.

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