São Paulo – Em 2011, o administrador Joceir Ramos acompanhou a tragédia causada pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, com 916 mortos e 345 desaparecidos. Enquanto lia as notícias, percebeu que, apesar da boa vontade da população em ajudar às pessoas atingidas pela catástrofe natural, o dinheiro das doações nem sempre chegavam aos seus destinatários.

“Por conta disso, comecei a pensar em uma rede social capaz de aproximar os dois lados dessa história: os doadores e as instituições”, afirmou o empreendedor que mora na cidade fluminense de Niterói e tem 41 anos.  Junto a um sócio com experiência em TI, Ramos começou a elaborar o site Social de Verdade, desenvolvido em julho de 2012 e colocado oficialmente no ar em janeiro deste ano. Até agora, a rede conta com cerca de 900 usuários cadastrados, além de 130 instituições sociais

Após realizar um cadastro no endereço, os usuários encontram uma série de instituições sociais que também utilizam a rede. Após buscar informações da entidade, é possível realizar doações por meio do PagSeguro. "Cada instituição tem uma página e ela deve postar as atividades que realiza. Caso ela não faça atualizações em até 90 dias, nós a retiramos de nosso serviço, porque esperamos a transparência dessas entidades”, disse Ramos.

De acordo com o empreendedor, o projeto foi desenvolvido como um trabalho voluntário e não como um negócio para gerar lucro. “Nenhuma doação passa por nós, o dinheiro vai diretamente para a conta da instituição. Para manter o site ativo, coloco dinheiro do meu bolso e ainda não temos nenhum tipo de receita”, afirmou.

Até agora, instituições de diferentes estados brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Ceará e Goiás já realizaram cadastros no Social de Verdade. “Tenho ficado muito feliz com os feedbacks das instituições, principalmente com as entidades pequenas que não têm recursos e buscavam uma maneira de encontrar ajuda de doadores.”

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Entre essas instituições, Ramos conta a história do Instituto Arco-Íris de Luz, da cidade fluminense de São Francisco de Itabapoana. “Eles fazem um trabalho com crianças que apresentam deficiência mental e mandaram uma mensagem para a gente falando que estavam sem esperança de encontrar recursos até conhecer o Social de Verdade. E esse depoimento quase fez a gente chorar, é gratificante ver as coisas dando certo na prática”, disse o empresário.

Neste ano, o empreendedor estará presente no evento ONG Brasil, que acontece em novembro na cidade de São Paulo e reúne organizações de diferentes partes do país. Com isso, ele espera encontrar empresas interessadas em realizar doações para as entidades dentro da rede social.  “Assim como aqueles ícones do Facebook e Twitter, também queremos um símbolo do Social de Verdade nas páginas das empresas, mostrando que elas também ajudam as instituições.”

Na opinião de Ramos, o Social de Verdade pode se tornar uma verdadeira “corrente do bem virtual”, reunindo pessoas que sempre tiveram o desejo de auxiliar entidades sociais sérias. “Nosso cotidiano, muitas vezes, não nos permite reservar um tempo para essas atividades. Mas, mesmo pela internet, será possível acompanhar uma instituição e convidar os seus amigos, criando um vínculo verdadeiro.”  

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