Londres - Foi um encontro casual em uma praia em Ibiza, Espanha, no verão de 2012, que pode ter levado Cameron e Tyler Winklevoss a se tornarem dois dos maiores investidores em Bitcoin.

À procura de espreguiçadeiras na ilha repleta de celebridades, os gêmeos Winklevoss chegaram a David Azar, um investidor privado de Nova York que os reconheceu e ofereceu seu assento, contará a revista Bloomberg Markets em sua edição de novembro.

Azar começou a falar sobre o Bitcoin, a moeda digital que ganhou destaque neste ano por suas selvagens oscilações de preço e por despertar o interesse dos reguladores, de Nova York à Alemanha.

“Ele nos perguntou se nós estávamos pensando na moeda virtual e, na época, realmente não estávamos”, diz Cameron Winklevoss, que junto com o irmão, em 2004, processou o fundador da Facebook Inc., Mark Zuckerberg, alegando que ele tinha roubado a ideia deles para o site de rede social.

“Eu fiquei realmente fascinado com as implicações para o mundo financeiro”, diz Cameron.

Poucas semanas depois de sua permanência em Ibiza, os irmãos -- cheios de dinheiro por causa dos US$ 65 milhões que ganharam depois de resolvido o caso do Facebook em 2008 -- começaram a comprar Bitcoin.

Eles não foram os únicos pegos pelo vírus Bitcoin. Nos últimos seis meses, pelo menos meia dúzia de empresas de capital de risco, que fizeram fortunas em apostas desde o começo em empresas de tecnologia como Twitter Inc., Tumblr Inc., Skype Inc. e Spotify Ltd., puseram seu dinheiro no Bitcoin.

O Bitcoin surgiu no auge da crise financeira, em novembro de 2008, quando um programador ou um grupo de programadores conhecido apenas como “Satoshi Nakamoto” lançou um trabalho acadêmico definindo o projeto de um novo sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto que elimina a necessidade de lidar com terceiros, como bancos.

Apelo para libertários

Nenhuma autoridade central emite Bitcoins, o que faz parte de seu apelo para os libertários, um grupo significativo de apoiadores da moeda virtual.

Nakamoto argumentou que as tentativas de criar dinheiro digital no início da década de 1990 falharam porque, embora essas moedas não fossem emitidas por uma autoridade do governo, eram controladas de forma central por uma empresa.

Os céticos dizem que o Bitcoin pode não vingar também. Alguns comparam seu apelo à mania por bulbos de tulipas holandesas nos anos 1600, quando especuladores jogaram os preços para cima apenas para ver o colapso do mercado enquanto investidores corriam para vender. Outros chamam o Bitcoin de ouro de tolo, dizendo que um código digital não pode ser avaliado da mesma forma que uma mercadoria tradicional.

“O Bitcoin será o esperanto do mundo monetário”, diz James Angel, professor de Finanças da Universidade Georgetown, em Washington. “A maioria das pessoas o verá como um modismo, como bambolês, e vão olhar para trás daqui a uma década e dizer: ‘Isso foi uma ideia inteligente. Eu até comprei uma xícara de café com isso uma vez’”.

Crédito cibernético

Os reguladores estão combatendo um Bitcoin livre-para-tudo.

Na terça-feira, o FBI, dos EUA, prendeu Ross Ulbricht, conhecido como “Infame Pirata Roberts”, o suposto fundador do Silk Road, um site que o FBI diz ter sido uma plataforma para a venda de drogas ilegais.

Após ser negociado a apenas US$ 17 em janeiro, o preço do Bitcoin subiu para US$ 240 em abril impulsionado pela crise bancária no Chipre. O Bitcoin estava se comportando como o ouro, uma reserva de valor que tende a subir de valor em tempos de incerteza econômica ou política.

O futuro do Bitcoin está em grande parte nas mãos dos reguladores.

Ao forçarem empresas que lidam com moedas digitais a atuarem sob as mesmas regras que os bancos atuam, as autoridades regulatórias poderiam tirar o Bitcoin da corrente principal, assim como qualquer inovação que estiver sendo adotada agora pelo mercado.

Ou poderiam quebrá-lo, marginalizando-o como uma ameaça para a integridade financeira e provocando o fim daquilo que muitos esperavam que fosse uma revolução em moeda digital.

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