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Religião | 06/02/2012 07:37

A curiosa fé do Copimismo, religião que prega Ctrl+C, Ctrl+V

Fundada na Suécia, Igreja Missionária do Copimismo foi buscar na Bíblia autorização para copiar e difundir arquivos pela internet

Carol Nogueira, de
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Divulgação/isakgerson.se

Isak Gerson, líder do Copimismo

Isak Gerson, líder do Copimismo: Seus fiéis citam Coríntios, capítulo 1, versículo 11:1: “Me imitem, assim como eu imito Cristo”

Tarde da noite. Um grupo de homens e mulheres com idade entre 20 e 60 anos se reúne em uma sala cujo endereço é protegido a sete chaves. Eles ligam seus computadores e começam a digitar. Das páginas da internet coletam dados de todo tipo, sigilosos ou não, e os espalham. Primeiro, compartilham arquivos uns com os outros. E, depois, com o mundo. Eles não fazem parte de uma sociedade secreta, nem são informantes do Wikileaks, mas religiosos da Igreja Missionária do Copimismo.

Fundada em 2006 na Suécia, terra onde surgiu o Partido Pirata, a seita do Copimismo tem como preceito copiar como forma de difundir conhecimento. O fundamento está na Bíblia, garantem os copimistas, que citam Coríntios, capítulo 1, versículo 11:1: “Me imitem, assim como eu imito Cristo”. Para os fiéis dessa pouco convencional igreja, compartilhar informação por meio de downloads de CDs, DVDs e até softwares é sagrado, mesmo que isso signifique infringir a legislação sobre direitos autorais. Embora vivam no limite da legalidade, os seguidores ainda não tiveram problemas com a justiça.

“Podemos ser presos pelo que fazemos. Por isso, tentamos preservar nossas identidades por muito tempo”, diz o estudante de filosofia sueco Isak Gerson, de apenas 20 anos de idade, que diz ter sido eleito líder espiritual da Igreja e um de seus fundadores. Apesar da pouca idade, Gerson jura que só copia por fé – e não para, como muitos da sua faixa etária, economizar uma grana deixando de comprar discos e filmes.

Foi aliás pelo desejo de tornar o Copimismo sério aos olhos dos “leigos” que Gerson apelou às autoridades suecas para que o reconhecessem como uma verdadeira religião. E, por mais absurdo que possa parecer, o governo da Suécia emitiu no fim do ano passado o documento de registro. “Agora que fomos reconhecidos, queremos ser ouvidos”, diz o líder, assumindo um discurso pretensamente sério. “Nós não acreditamos no sistema atual de direitos autorais, por isso queremos mudá-lo. Nós participamos da greve geral contra o Sopa e as propostas americanas contra a pirataria. Não vemos essa questão apenas sob o ponto de vista dos direitos autorais, mas sim como um ataque em grande escala à internet. Por isso, precisamos pará-los.”

Mas, como não é bobo nem nada, o papa do Copimismo dá a seus fiéis, entre outras recomendações, a de evitar registros de suas atividades religiosas. Sem prova, não há crime, já diria um sábio detetive livresco. Mas, para o advogado americano Steven Johnson, da firma Jones Day, Gerson e seus amigos podem ter achado uma brecha constitucional capaz de blindá-lo. “Nos Estados Unidos, a liberdade religiosa é garantida pela primeira emenda. E a maioria dos países mais democráticos não interfere na crença das pessoas, porque é contra a lei. Me parece que ele está muito bem informado sobre a situação legal em que se encontra.”

Liturgia – Como toda religião, essa segue uma liturgia própria. Mas não tem Bíblia, Torá ou Corão. Apenas uma constituição, em que se lê coisas como “Disseminar informações é ético” e "Para pertencer à comunidade copimista, não é preciso fazer parte de nenhuma organização. Basta respeitar e adorar a mais santa das santas: a informação". Ou ainda a recomendação para que os fiéis não guardem registros de suas atividades religiosas – uma forma, para o bem ou para o mal, de burlar as leis de direitos autorais.

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