São Paulo – Evgeny Chereshnev, vice-presidente de marketing da empresa de segurança digital Kaspersky Lab, implantou um biochip com tecnologia NFC em sua mão esquerda. A ideia é pesquisar cenários de uso e potenciais riscos desse eletrônico quando alojado no corpo humano.

Chereshnev contou em entrevista a EXAME.com durante a nona edição da Campus Party Brasil, em São Paulo, que decidiu não tomar anestesia e, sim, apenas duas doses de rum antes de um aplicador de piercing colocar o biochip pouco maior do que um grão de arroz em sua mão.

"Em breve, não estaremos falando em internet das coisas, mas em internet das pessoas", afirmou o executivo.

Em sua pesquisa, Chereshnev identificou algumas coisas que serão possíveis de se fazer no futuro com um biochip. Confira a seguir.

Abrir portas sem precisar de chaves

Uma das primeiras coisas que mudou na rotina de Chereshnev foi que ele deixou de usar cartões para abrir as portas na Kaspersky. Ele simplesmente aproxima a mão do sensor. 

"Os humanos são muito preguiçosos. Na Kaspersky, me acostumei a abrir portas usando o chip da minha mão. Então, agora passo por uma situação estúpida em que eu chego em uma porta sem o leitor correto, passo a mão no sensor e nada acontece", conta o executivo, em meio a risadas.  

Fechaduras que funcionam por NFC podem ser encontradas à venda em sites de ecommerce chineses, por exemplo.

Che chegou a fazer uma brincadeira com uma porta e seu biochip, abrindo-a à distância.

Login 

O vazamento de senhas é um problema desde que os serviços web se tornaram populares, em especial, as redes sociais, como MySpace, Orkut e Facebook. Muitas empresas tentam resolver isso com métodos diferentes e autenticação em dois fatores. 

Mas Che acredita que o biochip pode ser uma solução viável de login, já que o chip não tem acesso à internet por conta própria (é preciso que haja um leitor adequado próximo para que os dados sejam transferidos).

Nesse caso, o biochip funcionaria como um formulário de cadastro automatizado.

Pagamentos

Muitos terminais de pagamentos em lojas físicas têm suporte para a tecnologia NFC. Isso, aliás, é um dos motivos para a Apple e da Samsung terem lançado seus serviços de pagamentos móveis.

No entanto, com um biochip na mão, seria viável autorizar pagamentos apenas com um toque. 

"Você poderia, por exemplo, usar o seu chip implantado para pagar sua conta no Starbucks", segundo Che.

Ele ressalta que ainda é preciso que essa tecnologia amadureça mais. "O problema é que esse chip NFC não é tão seguro assim. Ele não tem um processador para viabilizar a criptografia. Para que ele tivesse isso, seria precisa energia elétrica e não podemos ligar pessoas a uma tomada", disse Che. 

Carteira de motorista e passaporte

Dados como o número da carteira de motorista ou o do passaporte podem ser lidos a partir de um biochip NFC. 

Utilizando leitor adequado, um policial poderia, por exemplo, saber nome, número e tipo de habilitação de condução de um determinado motorista. 

Só que, nesse caso, mais uma vez a tecnologia esbarra na falta de criptografia. Caso houvesse essa codificação, seria possível que somente um oficial com determinado nível de autoridade visualizasse esses dados, de maneira a garantir a privacidade da pessoa.

Proteção anti-roubo de celular

A aplicação do biochip em autenticação pode proteger um smartphone ou notebook, desde que ele tenha um leitor NFC. 

Se o seu aparelho for roubado, o ladrão pode, por sorte, desvendar a senha e acessar todos os seus dados armazenados ali.

Com a autenticação por chip, a pessoa precisaria estar presente.

Che chegou a demonstrar isso na Campus Party. Confira o vídeo abaixo.

 

Desbloqueando o smartphone com um biochip. Veja mais em #DiariodoHomemBionico no blog da Kaspersky Lab Brasil

Um vídeo publicado por Rafael Ryuiti Akao (@ryuitiakao) em

Tópicos: Internet, NFC, Segurança digital, Tecnologia