Moto Z é o melhor smartphone modular do momento

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São Paulo — O Moto Z é o melhor smartphone modular do mercado. Com ele, a Lenovo faz o que a LG não conseguiu com o G5 SE: aliar beleza e praticidade. Sem levar em conta a aplicação de módulos, o aparelho da Lenovo já traz boas configurações e um belo design. Mas são os acessórios — chamados de Moto Snaps — que fazem do Moto Z um produto especial.

Design

O que mais surpreende no design do Moto Z é sua baixa espessura. Com apenas 5,2 milímetros, ele é o smartphone mais fino à venda no mercado brasileiro. Mesmo com alguns dos acessórios, como bateria extra ou capa, ele continua fino. Mas isso traz pontos negativos: a câmera fica muito protuberante e as lateriais um pouco afiadas ao toque.

Além disso, ele chega sem a tradicional entrada para fones de ouvido — a Apple não foi a primeira a fazer isso. As opções para ouvir músicas são: usar um fone sem fio; ter um fone que se conecte pela porta USB-C; ou usar o conector que acompanha o Moto Z. Os fones fornecidos pela Lenovo são tradicionais, então o adaptador se faz obrigatório. Usar o acessório foi um pouco inconveniente, especialmente no início. Com o passar dos dias, me acostumei um pouco.

Foto por: Foto por: INFOlab

O visual do Moto Z é similar ao do iPhone 6s. Com corpo de metal e a frente totalmente revestida de vidro, ele tem apenas um alto-falante no topo. O som é baixo e não indicamos o uso sem uma caixa de som. Na traseira, além da câmera, estão ímãs para conexão dos Snaps. São doze, todos banhados a ouro, e dão um toque futurístico ao aparelho.

A tela de 5,5 polegadas tem resolução Quad HD (1.440 x 2.560 pixels) e conta com Gorilla Glass 4, que é resistente à água e à poeira. Falando em proteção, o smartphone é resistente apenas à respingos d’água. Por isso, não tente mergulhar com ele no bolso.

Câmeras

As câmeras do Moto Z são decentes. A principal tem sensor de 13 megapixels, foco a laser, abertura f/1.8 e estabilização óptica. O app da câmera é rápido para fotografar e tem bom desempenho em locais bem iluminados. As imagens ficaram um pouco saturadas — o que não é um problema tão grande, pois os elementos da foto ficaram vivos.

Em locais com baixa luminosidade, a câmera sofre. Outro problema é o balanço de brancos, que fica mal regulado em alguns momentos. Um recurso ótimo da câmera principal é o modo profissional. Com ele, é possível ajustar ISO, foco e balanço de branco manualmente.

A câmera frontal tem sensor de 5 megapixels, abertura f/2.2 e flash. O modo de embelezamento (que elimina imperfeições da pele) me impressionou. Em outros smartphones, esse recurso “borra” a imagem para tirar imperfeições, mas acaba apagando detalhes do rosto. O modo do Moto Z não faz isso, tornando o “photoshop” mais natural.

Apesar de um bom jogo de câmeras, o Moto Z não chega aos pés de outros produtos topo de linha (como iPhone 6s e Galaxy S7) no quesito fotos. Veja algumas imagens feitas com o Moto Z abaixo:

Foto por: Foto por: INFOlab

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Acessórios

Os Moto Snaps são módulos que adicionam funcionalidades ao Moto Z. É preciso apenas aproximar um deles à traseira do Moto Z para que a conexão seja feita. Os três módulos testados funcionaram bem. Não há configurações para se preocupar e nenhum processo de emparelhamento a ser feito. Quando você anexa um Snap, a tela do smartphone irá mostrar um breve tutorial sobre como usar todas as funcionalidades do acessório. 

Quatro Snaps foram lançados no mercado brasileiro. O primeiro é uma bateria extra de 2.220 mAh. Outro é a caixa de som JBL, que tem bateria própria. Esse Snap aumenta bastante o volume do som do Moto Z. O seu preço de 699 reais, no entanto, é um pouco salgado. Talvez valha mais a pena comprar uma caixa de som Bluetooth que se conecta com qualquer gadget.

O Snap mais surpreendente é o mini-projetor, capaz de criar uma tela de 70 polegadas em qualquer superfície. A tela projetada pelo Snap tem resolução de 480p — não é nem HD (720p). Isso é um pouco desanimador, se você comparar essa resolução com a da tela do Moto Z, que é uma Quad HD. Além disso, o preço dele é o mesmo que o de um smartphone regular: 1.499 reais.

Foto por: Foto por: INFOlab

O acessório mais legal é a câmera Hasselblad True Zoom, que tem zoom óptico de dez vezes e flash de xenônio. O problema é que este Snap utiliza a bateria do Moto Z. A Hasselblad começará a ser vendida apenas em outubro.

Todos os Snaps podem ser comprados separadamente — mas não valem o preço. Sabendo disso, a Lenovo decidiu vender os acessórios com o Moto Z em diferentes kits. O pacote mais simples, com bateria extra e capa, sai por 3.199 reais. O Moto Z com a Hasselblad ou com o projetor sai por 3.999 reais, enquanto o combo com a caixa da JBL sai por 3.499 reais.

Configuração e sistema

O Moto Z é um ótimo smartphone por si só. Ele vem com processador Snapdragon 820, memória RAM de 4 GB e armazenamento interno de 64 GB, expansível com cartão microSD de até 2 TB. Durante os testes, o smartphone não apresentou travamentos com jogos e todos os aplicativos rodaram bem.

Ele é o primeiro smartphone topo de linha da Lenovo com leitor de digitais. O sensor está localizado na parte inferior da frente do dispositivo, mas não funciona como botão. Nos primeiros dias de uso, a similaridade do leitor com um botão irrita um pouco, pois você pode apertar de maneira instintiva, somente para lembrar que ele é somente um sensor.

O sistema operacional do celular é o Android Marshmallow 6.0.1. Ele vem com melhorias de software, como o Moto Display — que mostra as notificações de aplicativos na tela. Outra característica adicional é o Moto Voice, que permite que o usuário acesse a assistente do Google com apenas um comando de voz.

O Moto Z se saiu bem nos benchmarks, os aplicativos que avaliam o desempenho de smartphones. Eles realizam simulações que, geralmente, exigem muito dos produtos e dão notas de performance. Confira como ele se saiu em comparação com outros dois aparelhos topo de linha de suas marcas.

Benchmarks Moto Z Galaxy S7 Edge LG G5 SE
AnTuTu (em pontos) 58.861 129.618 62.337
Vellamo (em pontos) 3.392 5.201 3.293
Basemark OS II (em pontos) 2.261 2.551 1.077
Geekbench (em pontos) 3.813 6.415 4.036

Bateria

No teste de uso intenso do INFOlab, o smartphone da Lenovo suportou 6 horas e 50 minutos de reprodução de vídeos em HD, com Wi-Fi e Bluetooth ativos. É mais ou menos a mesma quantidade de tempo que o LG G5 SE durou e, praticamente, a metade da duração de bateria do Galaxy S7 edge sob as mesmas condições.

O Moto Z suportou um dia inteiro de uso sem a necessidade de recarregar a bateria. Eu utilizei o dispositivo para navegar na internet, escutar música, tirar fotos e até jogar alguns games. O gadget vem com um carregador Fast Charging de 15 watts, que permite que a bateria do smartphone seja recarregada de 0% a 100% em cerca de 1h. Para vias de comparação, no mesmo teste, o Samsung Galaxy S7 levou mais ou menos 1h30 na tomada.

Vale a pena?

Apesar de caros, os Snaps acrescentam positivamente ao design do Moto Z. Nesse ponto, a Lenovo merece os meus parabéns, pois conseguiu fazer um smartphone bem diferente — eu diria até divertido — com configurações internas similares aos gadgets topo de linha do mercado, como o Galaxy S7 e o iPhone 7.

O que falta é um Snap realmente único, que seja essencial para o usuário. Os acessórios lançados até agora são bacanas, mas não são tão necessários no dia a dia. Assim, se você quer fazer parte dessa nova mudança de design dos smartphones, o Moto Z é a melhor escolha — principalmente o kit com a câmera da Hasselblad. Porém, se você não é muito ligado nisso, os dispositivos da Samsung e da Apple ainda são mais interessantes.

Ficha técnica

Sistema Operacional Android 6.0.1 Marshmallow
Processador Qualcomm Snapdragon 820
CPU Quad-core de até 1,8 GHz
GPU Adreno (TM) 530 @ 510 MHz
RAM 4 GB
Armazenamento 64 GB + MicroSD de 2 TB
Tela 5,5″ Quad HD (1.440 x 2.560 pixels)
Peso 136 gramas
Bateria 2.600 mAh
Câmeras 13 MP e 5 MP
Conexões 4G, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, Bluetooth versão 4.1 LE, Moto Snaps, Wi-Fi Direct. NFC

Avaliação técnica

Prós Boas câmeras, fino e veloz. Os Snaps se encaixam bem e são fáceis de usar
Contras Sem entrada tradicional para fone de ouvido e apenas um alto-falante
Conclusão Ambicioso e, com certeza, o melhor smartphone modular do mercado
Configuração 9,0
Usabilidade 9,0
Foto 7.5
Bateria 8,0
Design 9,0
Média 8.5
Preço 3.199 reais