Enxames de águas-vivas estão desligando usinas nucleares no Atlântico Norte

Segundo um estudo, o aquecimento das águas é o responsável pelo aumento dos enxames do animal

Um grupo de pesquisadores australianos e ingleses descobriu que enxames de águas-vivas foram responsáveis pelo desligamento de usinas elétricas em países banhados pelo Atlântico note.

A mudança climática é considerada pelos pesquisadores como uma das razões para que cada vez mais águas-vivas se reunissem em enxames, que podem reunir milhões de animais por dezenas de quilômetros.

Um enxame de águas-vivas da espécie Aurelia desligou o maior reator nuclear da Suécia por dois dias em 2013, depois de bloquearem a entrada de água resfriada da usina. Desde 2011, casos parecidos aconteceram nos Estados Unidos, Japão e Escócia.

Os pesquisadores colocaram sensores de GPS em 18 águas-vivas no litoral da França para monitorar o comportamento do animal no Atlântico norte.

“Os enxames de água-viva podem estar crescendo em virtude da mudança climática e da pesca predatória”, afirma Graeme Hays, chefe da equipe de pesquisadores da Universidade de Swansea, na Inglaterra, que realizou o estudo. A pesquisa foi realizada em 2011 e publicada em janeiro.

De acordo com o órgão da ONU responsável por estudar as mudanças climáticas no planeta, a temperatura da superfície da terra e dos oceanos aumentou 0,85 ºC desde 1880.

Águas mais quentes são condições excelentes para que as águas-vivas se reproduzam: o aumento na temperatura acelera o metabolismo do animal, que passa a crescer mais rápido, comer e se reproduzir mais frequentemente, além de viver mais tempo.

Outro problema causado pelos enxames é o extermínio de cardumes inteiros de peixes nos mares do Atlântico Norte.

No ano passado, cerca de 300 mil salmões de uma fazenda marinha morreram no mar da Escócia após águas-vivas entrarem no duto que leva oxigênio para os criadouros dos peixes. Os cnidários também matam outros animais marinhos pelas queimaduras ao contato com a pele do animal.

Os pesquisadores agora buscam desenvolver um sistema, parecido com a previsão do tempo, para prever os movimentos desses enxames e minimizar os danos causados.

Mas, segundo o estudo, a principal preocupação deve ser com o aumento da temperatura dos oceanos no próximo século.  “Os enxames são um grande indicador de que algo está errado com o oceano”, afirma Lisa-ann Gershwin, diretora de um centro de estudos marinhos australiano que participou da pesquisa.