Entenda como a Motorola manteve o preço do Moto X em R$ 1 500

Smartphone é o único que não sofre alteração de preço há dois anos no Brasil

A Motorola lançou no mercado brasileiro o Moto G de terceira geração e apresentou duas novas versões do Moto X. O modelo chamado Play continua a custar o mesmo que o Moto X de 2013, mesmo com a diferença do momento econômico brasileiro de lá para cá.

Rick Osterloh, CEO da Motorola, e Steve Sinclair, gerente global de marketing de produtos da marca, vieram ao país para o anúncio oficial dos novos smartphones. No evento, também estava Sergio Buniac, presidente da empresa no Brasil. Ele contou que o preço do Moto X Play foi determinado em cima da hora, uma semana antes da revelação do aparelho para o mercado.

Nesse valor, o smartphone consegue se encaixar numa faixa de preço que é predominantemente ocupada por concorrentes com duração de bateria mediana, como o Xperia M4 Aqua, bem como com os gadgets de geração anterior que passaram por uma redução de preço, como o LG G3.

Fora isso, com o Moto X Play a 1 500 reais, a Motorola tira proveito da Lei do Bem, que confere à empresa a possibilidade de ter alíquota zero de PIS e Cofins em celulares produzidos no país. Essa lei, vigente desde 2013, visa aumentar a competitividade do mercado, bem como contribuir com as empresas para que elas invistam em pesquisa e desenvolvimento no Brasil – o que a Motorola tem feito nos últimos tempos. 

No último ano, 200 pessoas foram contratadas para a divisão de pesquisa da empresa no Brasil, incluindo engenheiros de software e hardware que estão focados em projetos relacionados à rede 4G. 

Os profissionais ficam no complexo fabril em Jaguariúna, no interior de São Paulo. Além disso, a companhia também mantém parcerias com universidades de São Paulo, Pernambuco e do Rio Grande do Sul. Nesse ponto, segurar o preço do Moto X Play a 1 mil reais gera um bem mútuo para o consumidor e para a economia brasileira.

Agora vem o lado problemático de manter o preço do smartphone. A Motorola não usou a mesma tela no Moto X de segunda geração e na edição Play. O display do novo produto não é AMOLED, mas, sim, um LCD com retro-iluminação LED. A fabricante divulga apenas que a tela é TFT. Mas TFT significa Thin Film Transistor. Isso quer dizer que a malha da tela conta com transistores que controlam o cristal líquido para não deixar a luz passar em determinados momentos – e essa tecnologia é usada tanto em displays AMOLED, quanto nos retro-iluminados por LED.

O ponto aqui é que o Moto X não tira proveito do Moto Display, uma tela de notificações padrão dos gadgets da Motorola que mostra ícones minimalistas indicando novidades de aplicativos, como um comentário no Facebook ou uma mensagem no WhatsApp, bem como o horário. A interface é predominantemente preta, o que é ótimo para uma tela AMOLED, em que a parte preta da imagem não gasta energia porque os pixels estão apagados. O mesmo não acontece com o LED. A luz continua a ser emitida mesmo que a imagem exibida seja preta, os transistores apenas não deixam a luz passar. 

Isso pode ter um impacto na duração de bateria? Sim. Você poderia economizar energia, por exemplo, usando um papel de parede preto ou mudando a interface dos apps que você mais usa para um modo noturno. No entanto, o Moto G de terceira geração mostrou que a Motorola pode fazer smartphones retro-iluminados por LED e, ainda assim, obter uma boa duração de bateria. A conclusão disso só teremos quando o produto chegar ao INFOlab, o que deve acontecer em breve.

Além disso, há mais dois itens que a Motorola mudou no Moto X Play (e não necessariamente para melhor). A antena Wi-Fi AC foi trocada por uma padrão N, que não tira proveito total de roteadores de alta velocidade, e o GLONASS foi descartado. Este último recurso era uma tecnologia de GPS russa que funcionava junto com o A-GPS para melhorar a precisão dos serviços baseados em localização. Apesar de ser um recurso a menos, se você não tem o hábito de usar apps de geolocalização, como o Waze ou o MapMyRun, talvez você nem chegue a notar a sua ausência.

Com modificações que, em certos pontos, não deixam o smartphone melhor, a Motorola ao menos trará ao mercado a partir deste mês um produto com preço e qualidade razoáveis, design personalizável (no Moto Maker) e um sistema Android essencialmente puro e atualizado – uma lacuna de mercado deixada pela linha Nexus, sem lançamentos no Brasil desde 2014. Resta saber se o software do aparelho será atualizado, ao menos, por dois anos, como a empresa fez com o Moto X de 2013. Mas essa é uma pergunta difícil de responder.