Entenda a disputa entre Taylor Swift e a Apple

A Apple decidiu pagar os artistas durante o período de teste grátis, após reclamações de Swift. Porém, a cantora pop não foi a primeira a criticar o Apple Music

São Paulo – Taylor Swift pediu e a Apple obedeceu. A empresa da Califórnia decidiu pagar gravadoras e artistas pelo direito de transmitir suas músicas no Apple Music durante os 90 dias de teste grátis do app.

A alteração na política de remuneração da Apple aconteceu após a cantora pop anunciar que não iria disponibilizar seu último álbum, 1989, no serviço de streaming de música da empresa.

Em apenas três tuites, o vice-presidente de serviços de internet e software da Apple, Eddy Cue, escreveu que a companhia tinha ouvido a cantora pop e que iria pagar pelas reproduções dos três meses de testes (veja as mensagens publicadas no Twitter, em inglês, abaixo).

Cue explicou, em entrevista à Billboard, que a empresa tem uma longa história com a comunidade da música. Nós temos um profundo respeito pelo que eles fazem. Nós estamos nisso há um longo tempo, disse o vice-presidente.

A Apple não foi a primeira a receber reclamações de Swift. No ano passado, a cantora retirou todas as suas músicas do Spotify, devido ao mesmo problema de remuneração. O serviço de streaming sueco, contudo, afirma que pagou mais de três bilhões de dólares em royalties desde 2008.

A história é mais longa do que parece

A briga entre Taylor Swift e a Apple foi resolvida rapidamente. No entanto, a cantora pop não foi a primeira a criticar a política de remuneração da empresa.

Segundo informações da revista Fact, a Apple tem sido acusada de ameaçar artistas que se recusam a não receber remuneração nos 90 dias de teste.

Anton Newcombe, vocalista da banda de rock Brian Jonestown Massacre, afirma que um representante da Apple disse-lhe que todas as músicas de sua banda seriam removidas do iTunes. Isso aconteceria se ele se recusasse a aceitar a política de não pagamento de royalties.

Além de Newcombe e Taylor Swift, outros cantores e companhias expressaram a sua preocupação com o Apple Music. Uma delas foi a Beggars, gravadora britânica por trás de artistas como Vampire Weekend, Adele e Radiohead.

A empresa publicou uma nota em seu site dizendo que ainda não assinou um acordo com a Apple. Nós compreendemos a lógica da proposta. No entanto, nós ainda estamos tentando entender porque os donos dos direitos autorais e artistas devem se submeter à política de remuneração da Apple, disse a Beggars.

Apple e o fim do streaming grátis

A Apple está longe de ser a primeira empresa a investir em serviços de streaming de música. Companhias como Rdio, Deezer, Pandora e Spotify estão há anos no mercado. No entanto, parece que, devido ao atraso, a Apple está tentando intimidar seus adversários para chegar ao topo.

No mês passado, o site Financial Times relatou que a Apple uniu-se a grandes gravadoras, como a Universal, para pressionar o Spotify a reduzir seu serviço grátis de streaming. Nós queremos aumentar o número de assinaturas pagas, disse o CEO da Universal, Lucian Grainge na conferência Code/Media, que aconteceu no início do ano.

Dos atuais 60 milhões de usuários do Spotify, apenas 15 milhões, ou seja, 25% são assinantes com contas Premium.

Porém, de acordo com o site The Verge, o Spotify não é o único alvo da Apple nessa batalha por assinantes pagos. A empresa da maçã teria oferecido à Universal o dinheiro da taxa de licenciamento que a gravadora receberia do YouTube, se ela concordasse em retirar as músicas de seus artistas do site de vídeos. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) está investigando a Apple nesse caso.

No ano passado, o DOJ ganhou uma causa contra a empresa da Califórnia nos tribunais norte-americanos. A Apple e cinco grandes editoras dos Estados Unidos foram acusadas de conspiração para fixar preços de e-books e diminuir os lucros da Amazon

Veja abaixo o vídeo promocional do Apple Music: