Como eu desisti da corrente alternada

O inventor do soylent, Rob Rhinehart, descreve como é viver apenas com energia solar

Rob Rhinehart não lava roupas e raramente ingere comida sólida. Você pode imaginar que estamos falando de alguém que vive às margens da sociedade, mas ele na verdade é um engenheiro de software que mora em uma área gentrificada de Los Angeles. Mais conhecido como o inventor do soylent, uma mistura líquida que substitui refeições completas, Rhinehart leva suas ideias de sustentabilidade ecológica muito a sério. Em sua busca por um novo modo de vida, ele fez muito mais do que simplesmente abrir mão da carne: ele aos poucos desistiu da geladeira, dos carros, da televisão, do ar condicionado e do roteador. Rob Rhinehart é um homem que desistiu da corrente alternada, um dos pilares da nossa civilização.

Atualmente, em vez de pagar a conta de luz, ele supre suas necessidades elétricas com um pequeno painel solar e uma bateria. No texto abaixo, originalmente publicado em seu blog pessoal e traduzido aqui na INFO com sua permissão, ele explica como foi a transição para uma vida baseada em um pequeno suprimento de energia solar. Algumas de suas observações estão ligadas à realidade particular dos Estados Unidos (onde a rede elétrica depende muito de combustíveis fósseis), mas a ideia central é relevante para qualquer pessoa. Em um mundo no qual a catástrofe ecológica se torna um futuro cada vez mais plausível, as atitudes radicais de Rhinehart podem ser úteis para suscitar um debate sobre como consumimos energia atualmente.

As paredes estão zunindo. Eu sei disso porque tenho um imã implantado na minha mão e, sempre que a aproximo de uma tomada, posso sentir. Eu sinto fortalezas da indústria a quilômetros de distância enquanto elas queimam toneladas  de hidrocarbonetos pré-históricos. Eu sinto a dor lancinante e a perda de consciência provocadas pela fiação exposta que me eletrocutou na infância. Eu sinto o corte profundo da conta de luz quando eu viva próximo da linha de pobreza. Eu sinto a fria incerteza do meu primeiro apagão, quando uma tempestade interrompeu o fornecimento de energia. Quanto tempo ainda temos antes que o delicado véu da civilização dê lugar à selvageria sem luz, aquecimento ou refrigeração?

A rede elétrica, seja ela “smart” ou não, é uma fonte de desperdício. A produção de energia é responsável por 32% de todos os gases responsáveis pelo efeito estufa, mais do que qualquer outro setor econômico. A maior parte da eletricidade dos Estados Unidos é gerada pela queima de carvão, o que imediatamente dissipa 67% de sua energia potencial. O restante passa por uma turbina de vapor, perdendo mais 50%, e é transmitido por cabos que desperdiçam outros 5% até chegar em um aparelho de corrente contínua (como um celular), onde mais 20% se dissipam durante a conversão.  Isso significa que, para 100 W de carvão ou óleo queimado, meu telefone recebe apenas 25 W. À luz desse fato, um painel solar com eficiência de 18% não soa tão mal.

Em vez de aumentar indefinidamente nossa produção de energia, o que aconteceria se nos concentrássemos em reduzi-la? Imagino que o acesso à eletricidade nas nossas primeiras colônias espaciais não apenas será proibitivo, como também será baseado na corrente contínua oriunda de painéis solares. Com isso em mente, embarquei em um experimento para descobrir se eu poderia viver sem o luxo da corrente alternada.

Usinas elétricas

Em 2013, as usinas americanas geraram 4 066 TWh de eletricidade e coletaram  370 bilhões de dólares em rendimentos. Desse total, 70% têm origem em combustíveis fósseis como carvão e gás natural.  A energia nuclear é responsável por 20% e “fontes renováveis” respondem pelos 10% restantes, a maioria produzida em hidroelétricas. Na verdade, os 5 maiores complexos geradores de energia do mundo são hidroelétricas. A Barragem das Três Gargantas gera sozinha 22 500 MW, dez vezes mais que uma usina de carvão típica nos Estados Unidos. Nos EUA, o segmento de maior consumo é o residencial, com um uso médio de 909 KWh por mês por consumidor a um custo per capita de 110 dólares.

Minha cidade natal de Los Angeles tem um pico de demanda que atinge 6 125 MW. A maior parte é importada de usinas de carvão em Utah, Arizona e Nevada. A cidade gera aproximadamente 25% de sua própria eletricidade com quatro plantas de gás natural. Outros 11% vêm da usina nuclear Diablo Canyon, cujos reatores gêmeos geram 2 242 MW a partir de 193 linhas de combustível.  Cada linha abriga 200 varas de combustível, cada vara contém cerca de 400 pastilhas de urânio de meia polegada e cada pastilha é composta por 3,5-5% de urânio-235. A soma total fica em torno de 75 toneladas de urânio que devem ser trocadas a cada dois anos. Mesmo assim, eu prefiro o urânio ao carvão.

Manter todas essas instalações demanda milhares de trabalhadores e apagões ainda são comuns. Los Angeles usa linhas de transmissão de superfície, que são visualmente desagradáveis além de serem vulneráveis a acidentes de carro. Em 2005, um trabalhador do Departamento de Água e Energia cortou acidentalmente um cabo e interrompeu o fornecimento para metade da cidade. Em 2013, Diablo Canyon teve que ser desligada por causa da invasão de um grupo de águas-vivas. Aliás, Diablo Canyon foi construída a menos de 1,6 km de uma grande falha geológica.

A maior usina fotovoltaica do mundo, a Fazenda Solar Topaz, custou 2,5 bilhões de dólares e possui uma capacidade oficial de 550 MW. No entanto, o baixo fator de capacidade da energia solar faz com que ela na verdade produza uma média de apenas 125 MW.

Agora eu não preciso mais de nenhuma dessas usinas. Atingi a independência elétrica. Minha demanda doméstica é confortavelmente saciada por um único painel solar de 100 W que custou 150 dólares e pode ser comprado na Amazon. Entrei em contato com  alguns fabricantes na China e todos afirmaram que ele custa 40 dólares para produzir. Por alguma razão, os EUA impõem enormes tarifas sobre a importação de painéis solares chineses, então eles costumam ser enviados através da Malásia. Por que os políticos se importam com isso?

 Para armazenar energia, uma bateria chumbo-ácido de 65 dólares dá conta do recado. Ela opera em 12 V, o que significa que pode ser carregada diretamente pelo painel solar, e contém 420 Wh de energia, muito mais do que eu gasto em um dia.  Isso se traduz em $0,15/Wh, então não consigo entender porque todo mundo ficou excitado quando a Tesla anunciou que cobraria $0,43/Wh pela Powerwall sem o inversor e a instalação.

Minha nova fonte de energia

Já faz alguns meses que vivo com esse sistema e estou entusiasmado com quão bem ele funciona. Toda manhã, acordo e me maravilho com o fato de que utilizo uma forma de energia grátis e confiável que é gerada por um reator de fusão cósmico e transmitida para mim por raios através do espaço. Claro, o uso da energia solar seria proibitivamente caro e complicado se eu não tivesse reduzido meu consumo a uma fração da média típica dos usuários domésticos. Eis como eu consegui.

Cozinha

Cozinhas são caras e sujas. A sensação de eliminar essa verdadeira linha de produção doméstica foi de longe a mais liberadora. Cozinhas são as consumidoras mais gananciosas de energia, água e trabalho de qualquer casa, sem falar no barulho e no lixo que elas produzem. Além disso, elas podem se tornar completamente desnecessárias com alguns ajustes simples na rotina.

Em primeiro lugar, eu nunca cozinho. Sou totalmente a favor da independência individual, mas repetir o mesmo trabalho de novo e de novo é algo que pertence ao reino dos robôs. Eu me contento com o consumo de soylent quando estou em casa e saio para comer fora quando sinto falta de companhia ou de algum sabor.

Isso elimina uma panóplia de ferramentas caras e de ingredientes perecíveis que eu precisaria adquirir, preparar e limpar. A ausência de uma cozinha também me incentiva a explorar os restaurantes da cidade e a convidar amigos para sair. Na verdade, creio que o soylent me tornou mais social em meus hábitos alimentícios. Eu posso gastar o dinheiro que economizei deixando de comprar mantimentos com a cortesia de pagar o almoço ou o jantar de um conhecido.

Quando o soylent 2.0 atingiu o estágio de beta fechado, fiquei animado ao descobrir que ele não precisava ser refrigerado e continuaria nutritivo pelo período de um ano. O gosto é melhor frio, mas não me importo de toma-lo quente. Livrar-me da minha geladeira foi a melhor coisa que já fiz. Nunca mais terei que escutar aquele maldito compressor gemer.

Há anos não coloco os pés em um supermercado. Nunca mais vagarei por infinitos corredores confusos procurando comida como um burro de carga, enquanto o cheiro de peixe em decomposição invadia meu nariz, as luzes fluorescentes alfinetavam meus olhos e as músicas românticas torturavam minhas orelhas. Fazer as compras é um pesadelo multissensorial. Eu poderia contratar um serviço para que alguém fizesse compras por mim, mas minha consciência não ficaria tranquila se eu forçasse outro ser humano a passar por isso.

Eu compro comida online como uma pessoa civilizada. Encomendar soylent para um mês leva apenas alguns segundos e a versão 2.0 não exige nenhuma forma de preparo, então também pude me livrar do liquidificador. Custando menos que 2,50 dólares por refeição, o soylent me faz poupar muito dinheiro.

A maior proporção de soja em relação ao arroz no soylent 2.0 fez com que ele finalmente atingisse uma pontuação de 1.0 no PDCAAS (um índice de qualidade de proteínas) e ao mesmo tempo melhorou o gosto e a textura do produto. Igualmente incrível é o fato de que alguns dos ingredientes são baseados em algas e não nos produtos de fazendas sedentas por água e pesticidas.

Depois de trocar minhas refeições por soylent, troquei a cerveja pelo vinho. Eu compro vinho através do Saucey (um aplicativo de entrega de bebidas por demanda) para evitar as lojas físicas. Vinho tinto pode ser surpreendentemente barato e aprazível, além de não precisar de refrigeração.

No final das contas, eu acabo bebendo menos líquido ao todo, o que significa menos garrafas para jogar fora (minha média é de um saco de lixo por mês) e menos visitas ao banheiro. Ou seja, para um montante equivalente de álcool, há uma perda menor de eletrólitos quando o vinho é consumido no lugar da cerveja.

Quando sinto vontade de tomar chá e café, uso um forno a butano. Ele é muito mais barato e eficiente que uma máquina da Keurig, que pode custar $160 de eletricidade por ano. O forno esquenta água tão rápido quanto uma máquina de café e não desperdiça um número infinito de “K-Cups” não recicláveis. Além disso, o fogo é mais bonito que qualquer LED.

Sem geladeira, pratos, micro-ondas, fogão, forno, lava-pratos, talheres, produtos de limpeza ou panos sujos, minha vida se tornou consideravelmente mais simples, leve e limpa. Acho que meu arquiteto foi presunçoso ao assumir que eu queria uma cozinha e me fazer pagar por ela. Minha casa é um lugar de paz. Eu não quero viver com objetos incandescentes e facas afiadas. Isso soa como uma câmara de tortura.

No entanto, nem tudo está perdido. Eu pude usar os armários para guardar parte da minha coleção de livros.

Transporte

Sem energia sustentável, carros elétricos não são tão úteis quanto pode parecer. Carregar um Tesla com capacidade de 85 kWh é equivalente a queimar 37 litros de óleo em uma usina [*]. Com um alcance de 426 km, um Tesla Model S na verdade corre por 11,2 km/l, pouco mais que a média americana de 10 km/l.

Ordens de magnitude separam a eficiência dos carros e a do transporte público, fora o fato de que eu adoro trens. Ainda assim, o próprio sistema público incorre em custos substanciais e sua infraestrutura exige muita manutenção. Eu uso Uber para me movimentar pela cidade (a maioria dos motoristas usa o Toyota Prius com um motor de corrente contínua).  Eu também ando de ônibus com frequência. Eles são muito bons em Los Angeles e usam GNV.

Talvez um cruzamento entre carro e metrô pudesse melhorar essa situação: alguma forma de casulo elétrico que pudesse levar uma dúzia de pessoas em um modelo similar ao do UberPool. Isso ou cavalos-cheetah robóticos e drones.

As ruas foram originalmente criadas para seres humanos. A invasão dos automóveis destruiu a vida de mais de um milhão de pessoas (carros mataram mais do que a guerra e a AIDs somadas nos EUA) e esmagou o principal conduto de comunidade de nossas cidades, reduzindo-nos à condição de exilados que passam o tempo diante de uma televisão. Eu espero que a próxima geração de tecnologias de transporte nos permita retomar as ruas.

Enquanto isso não acontece, o Uber funciona bem. Trânsito não é tão ruim para quem está no banco de trás lendo um livro. Como eu compro tudo online, não preciso correr de um lado para outro, o que torna o UberPool ainda mais barato e conveniente do que um carro próprio. Eu também me sentia constantemente distraído por meu telefone enquanto dirigia e sei que outros motoristas têm o mesmo problema. Portanto, com alguns ajustes simples ao nosso estilo de vida, creio que o Uber resolve os maiores problemas do transporte da mesma forma que o soylent resolve os maiores problemas da alimentação. Ás vezes eu sinto falta do meu carro, assim como sinto falta de fritar hambúrgueres, mas eu sei que ambos um dia me prejudicariam. Depois de dois anos bebendo soylent, todas as minhas métricas de saúde continua pristinas e eu não corro mais o risco de me distrair enquanto dirijo.

É fácil demonizar a grande indústria de alimentos, mas a maior parte das calorias consumidas nos EUA vem de refeições caseiras. Estamos dirigindo bêbados quando o assunto é hábitos alimentares. Em algum momento teremos que admitir que somos péssimos cozinheiros e péssimos motoristas. Vamos automatizar essas tarefas para que possamos nos concentrar na arte, na ciência e na exploração. A comida pode sim ser uma arte e dirigir é uma forma de exploração, mas essas atividades não passam de manufatura e rotina na maior parte do tempo. Não sinto falta delas.

Todas as minhas cicatrizes têm origem na cozinha ou na direção. Nenhuma marca nova apareceu no meu corpo ultimamente.

Computação

Os computadores atuais são muito eficientes, mas sempre podemos melhorar. Eu estremeci quando troquei meu desktop por um Intel NUC de baixo consumo de energia. Desistir da minha torre por um mini PC foi como perder um Ford F250 de 1986 e começar a dirigir um Prius. É o futuro, mas dói um pouco.

O NUC e meus monitores (dois AOC USB DisplayLink de 17”) são incrivelmente eficientes e suprem todas as minhas necessidades. Quando eu preciso de mais poder de processamento, eu uso SSH ou RDP para acessar uma instância EC2 (uma parte do serviço de computação em  nuvem da Amazon). O poder de processamento gráfico dos chips da Intel também aumentou muito nos últimos anos. Com a GPU integrada HD 6000, consigo rodar League of Legends e Kerbal Space Program sem problemas. Podemos esperar ainda mais poder computacional no final deste ano, quando a nova arquitetura Skylake chegar.

Meu NUC recebe energia diretamente da bateria chumbo-ácido porque ele opera em 12 V e puxa menos que 1 A de corrente mesmo com os monitores ligados. No total, os eletrônicos consomem 72Wh em 6 horas de uso, uma quantia que meu painel produz em menos de uma hora com luz solar direta, que é um recurso abundante em Los Angeles. Foram-se os dias em que eu alimentava benjamins e ninhos de rato de cabos. Meu telefone Android opera em 5 V e usa menos que 10 Wh por dia, que não é muito mas ainda é demais para o que ele é capaz de fazer. Meu Nokia antigo sobreviveria uma semana com essa carga.

Roupas

Eu gosto de lavanderia tanto quanto gosto de lavar pratos. Todas as minhas roupas são encomendadas sob medida da China por preços inacreditáveis. O envio é um problema. Eu preferiria que navios cargueiros usassem reatores nucleares, mas essa solução ainda é mais eficiente e conveniente do que o varejo comum. Graças às fibras sintéticas, fabricar minhas roupas demanda menos água do que lavá-las e eu doo todas as peças usadas. A esmagadora maioria das roupas vendidas nos EUA já é fabricada no exterior. Eu simplesmente compro diretamente.

Algo que me incomoda imensamente é o fato de que toda roupa é feita à mão. A automação ainda é ausente na indústria têxtil, mas essa situação não continuará a mesma para sempre. Por enquanto, comprar algumas camisetas e jeans por mês não ofende ninguém. Eu certamente compro menos roupa que o consumidor médio. Fibras sintéticas são facilmente recicladas e creio que elas logo serão feitas a partir de biocombustíveis. Entretanto, essa é uma área que ainda precisa de desenvolvimento.

Controle de temperatura

Em Los Angeles, janelas abertas são o bastante. Meu apartamento veio com um Nest instalado, mas eu o removi e não senti falta de um sistema de aquecimento ou de ar condicionado. Mesmo em lugares menos temperados, será que precisamos controlar o ambiente com uma precisão de 1°C? Eu não sou tão controlador e gostaria de recuperar o espaço nossas coberturas que é ocupado por equipamentos de ar condicionado.

Iluminação

Como determinado pelos códigos modernos de construção, meu prédio usa lâmpadas LED. Inicialmente, eu troquei as do meu apartamento por um fio eletroluminescente que brilha de maneira mais uniforme sem deixar de ser eficiente. No entanto, ele usa corrente alternada, então passei a usar lâmpadas LED RGB de 12 V que podem ser alimentadas diretamente pela bateria. Eu adoro poder ajustar a cor e o brilho da luz remotamente.

Entretenimento

Fui abençoado com um clima ameno, uma bela vista e prateleiras de livros, portanto não vejo motivo para lidar com o barulho e a feiura de uma TV, esse buraco negro em torno do qual o resto da sala-de-estar gravita como se ele fosse um altar. Eu prefiro ler, estudar, programar ou passear por qualquer um dos parques da minha vizinhança.

Mas eu não deixei de gostar de cinema, então comprei um projetor LED chamado “RIF6 Cube”, que me impressionou pela qualidade de imagem, preço e eficiência energética. Em conjunto com o Amazon Fire TV Stick, ele pode se aproveitar do Miracast para exibir qualquer filme que possa ser reproduzido no meu celular.

Nunca assinei um serviço de TV a cabo e recentemente troquei o provedor de internet fixa e seu roteador por um hotspot LTE. A T Mobile não impõe limites de dados desde que você esteja conectado à rede deles e, como eu moro perto de uma das antenas, o serviço acaba sendo quase tão bom quanto a internet cabeada.

Conclusão

No total, gastei 1 450 dólares para desistir da corrente alternada. O preço é alto, mas o investimento não foi perdido porque eu não preciso mais pagar a conta de luz ou o combo de TV do provedor de internet. De qualquer maneira, a maior vantagem é o prazer da independência energética. Pesadelos em que eu me encontrava preso em minas de carvão foram substituídos pelo sonho de me banhar na glória do Sol. Mas foi um pouco estranho quando tive que provar minha existência para um governo local e eles pediram uma conta de luz. Ainda bem que eu posso usar a conta de água, pelo menos por enquanto.

Se você sabe desencapar fios, você conseguiria fazer o que eu fiz. Todo o material pode ser encontrado na Amazon exceto pelo soylent 2.0, que só pode ser adquirido no site do produto.

As primeiras colônias espaciais não terão acesso a usinas de carvão. Estou pronto para esse futuro. Por ora, enquanto passo pela cidade radiante com minha fome abatida, tenho visões de estacionamentos e supermercados sendo substituídos por parques e centros comunitários, de usinas sendo transformadas em museus e galerias de arte. O trânsito, o lixo e a poluição desaparecerão se nos dispusermos a adaptar algumas rotinas.

R. Buckminster Fuller achava que deveríamos conectar todas as redes de eletricidade do mundo. Que tal nos conectarmos através do Sol?

 

Notas

[*] 85 kWh = 306 MJ

A perda de energia total em um Tesla ligado a uma rede elétrica baseada em combustível fóssil é de 75% (67% na queima*50% na turbina*5% na transição*80% no carregamento)

Portanto, a demanda de 306 MJ / 0.25 é equivalente a 1201 MJ de combustível na usina.

Petróleo contém 32.4 MJ/l

1201 MJ / 32.4 MJ/l = 37 l

(Tradução e edição: Leonardo Veras)