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São Paulo – Embora não estejam entre as espécies mais queridas pelo ser humano, os ratos são “surpreendentemente” altruístas e solidários, segundo um estudo da Universidade de Chicago que será publicado na edição de dezembro da revista Science.
De acordo com os experimentos feitos pela neurocientista Peggy Mason, os animais demonstraram uma propensão à empatia e ao autosacrifício muito além do que se esperava.
Para chegar à conclusão, a cientista fez experimentos com pares de roedores confinados a um espaço: um ficava preso em uma gaiola, enquanto o outro ficava livre para circular pelo ambiente. Em 23 dos 30 casos, o rato que estava “livre” aprendeu a abrir a gaiola para soltar seu companheiro.
O que comprova que os ratos estavam realmente interessados em libertar os colegas é que quando eram posicionados no mesmo espaço junto a uma gaiola vazia ou com brinquedos dentro, não tentavam abri-la.
Mas para desafiar ainda mais os roedores, Mason fez uma nova bateria de testes, desta vez colocando duas gaiolas no espaço: uma com outro rato dentro e outra contendo gotas de chocolate (a iguaria favorita das cobaias).
Apesar de estarem livres para comer primeiro o chocolate e depois salvar os companheiros – ou mesmo se distrair com o banquete e esquecer deles –, a maioria dos ratos libertou primeiro o colega para depois ir atrás do doce.
Experimentos como o de Manson tentam entender como funcionam a empatia e o altruísmo no mundo animal – características que, durante muito tempo, eram atribuídas apenas à espécie humana.
Os resultados indicam que outras espécies de animais desenvolveram instintos de ajudar seus pares, mesmo colocando-se em risco. Seguindo esta linha de raciocínio, a empatia seria uma característica biológica e não cultural, como se imaginava até então, segundo Mason.
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