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São Paulo — Há seis anos, um pesquisador deparou com amostras de material genético estranhas, diferentes de tudo o que a ciência conhece em organismos celulares. Agora, ele decidiu publicar um trabalho compartilhando a descoberta na esperança de que alguém o ajude a encontrar a resposta. O professor Jonathan Eisen, da Universidade da Califórnia, usou material recolhido durante uma expedição do famoso geneticista Craig Venture, que retirou amostras do mar de 2003 a 2007. Utilizando uma técnica chamada metagenômica, foi possível reconstruir, no laboratório, a sequência genética recolhida.
O material encontrado apresenta características suficientes para ser considerado “parente” dos seres vivos conhecidos. Porém, é diferente o suficiente para não se encaixar em nada já visto. “Todos os organismos têm milhares de genes diferentes”, explicou o professor Eisen. “No entanto, existem mais de 20 genes que todos compartilham – não importa o que seja.
Esses genes codificam os componentes centrais da célula e são similares o bastante entre todos os organismos que possuem célula para a gente acreditar que todos vieram de um ancestral comum”, diz. É analisando as semelhanças e diferenças entre esses e outros genes que se constrói a árvore da vida – o esquema que divide todos os seres vivos em grupos.
O maior de todos esses grupos é chamado de reino – ou domínio. Na escola, provavelmente, você aprendeu que havia um número maior deles, mas hoje o número aceito pelos cientistas é três: Eukarya, Archaea e Bactéria. No Eukarya estão todos os seres vivos que possuem células com carioteca (os eucariontes: animais, plantas, fungos, protistas...). Já os chamados organismos procariontes, todos microorganismos, são divididos em Archaea e Bacteria. Já os vírus não se enquadram em nenhuma classificação. Eles não possuem células e dependem da estrutura celular de outro organismo para se reproduzir.
O problema é que as amostras analisadas por Eisen não correspondem a nenhum desses reinos, e nem parecem ser de vírus. “O que fizemos foi analisar os dados genômicos achados. Tentamos comparar com todas as versões desses genes que conhecemos, mas ele não se encaixava em lugar nenhum. Também não se parecem com nenhum vírus conhecido”, disse Eisen.
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