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Concepção artística ilustra o exoplaneta TrES-2b. Mais escuro do que qualquer outro planeta já observado, ele emite um brilho avermelhado em função de suas altas temperaturas
São Paulo -- Uma equipe liderada por pesquisadores do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (Cfa), nos Estados Unidos, descobriu que o planeta TrES-2b – localizado a 750 anos-luz da Terra – é o mais escuro observado até hoje. Com tamanho similar ao de Júpiter, o gigante gasoso orbita sua estrela a uma distância de apenas 4,8 milhões de quilômetros (Sol e Terra estão separados por 148 milhões de quilômetros). Contudo, reflete apenas 1% da luz solar nele projetada.
"O TrES-2b reflete menos luz que a tinta acrílica preta", compara o astrônomo do Cfa, David Kipping, autor de um artigo sobre a descoberta publicado no Monthly Notices, periódico da instituição britânica Royal Astronomical Society, que financia pesquisas em astronomia. "É, realmente, um mundo alienígena."
No Sistema Solar, Júpiter é envolto por nuvens brilhantes de amônia capazes de refletir mais de um terço da luz que chega do Sol. No planeta recém-descoberto, porém, a formação de nuvens similares é barrada pelas altas temperaturas. A atmosfera, com 982 graus Celsius, é carregada de substâncias que absorvem luz, como potássio, óxido de titânio e sódio.
Apesar disso, os astrônomos afirmam que esse dado, isoladamente, não explica a escuridão. "Não está claro o que torna esse planeta tão extraordinariamente escuro", afirma David Spiegel, da Universidade Princeton, nos EUA, coautor do artigo. De qualquer forma, o TrES-2b não é completamente escuro. Segundo Spiegel, ele é tão quente que emite um brilho vermelho semelhante ao de brasas.
Apesar de ter sido descoberto em 2006 pela rede de telescópios terrestres Trans-Atlantic Exoplanet Survey, os pesquisadores só descobriram que o planeta TrES-2b é tão escuro com a ajuda de dados coletados pela sonda espacial Kepler, que é capaz de medir o brilho de estrelas distantes com extrema precisão. De acordo as análises da equipe, o planeta orbita sua estrela da mesma forma que a Lua orbita a Terra: uma face está sempre virada para o astro.
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