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Nanomotor | 05/09/2011 15:33

Americanos constroem menor motor elétrico do mundo

Dispositivo é 60 mil vezes mais fino que um fio de cabelo. Descoberta poderá ajudar medicina e engenharia

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Universidade de Tufts

Nanomotor formado por uma única molécula

O motor é formado por uma única molécula de sulfeto de metil butil (no centro da ilustração) que gira sobre uma superfície

São Paulo -- Cientistas desenvolveram o primeiro motor elétrico com uma única molécula. O feito poderá ajudar a criar uma nova classe de dispositivos que poderão ser usados em várias aplicações, da medicina à engenharia. A pesquisa foi publicada no periódico Nature Nanotechnology.

Os químicos da Universidade de Tufts (EUA) colocaram uma molécula de sulfeto de metil butil em uma cobertura de cobre condutora de eletricidade. Em seguida, utilizando a ponta de metal de um microscópio, os pesquisadores forneceram uma carga elétrica para a molécula, que também continha enxofre. Os átomos de carbono e hidrogênio do composto estavam dispostos de modo que a molécula parecia ter dois braços, com quatro carbonos de um lado e um do outro. Essas 'correntes' de carbono podiam girar livremente entre as ligações de enxofre e cobre.

A equipe descobriu que ao controlar a temperatura da molécula, eles podiam influenciar diretamente sua rotação, como o giro de um motor. Temperaturas na casa de -268 graus Célsius provaram serem ideais para rastrear o movimento do motor. Foi nela que os pesquisadores conseguiram fazer todas as medições.

O motor molecular elétrico possui apenas um nanômetro de diâmetro, 200 vezes menor que o atual recorde mundial. Para se ter uma ideia, um fio de cabelo possui 60.000 nanômetros de diâmetro. De acordo com Charles Sykes, autor sênior do estudo, a equipe pretende enviar os resultados para o Guinness, o livro dos recordes.

Os cientistas acreditam que os nanomotores poderão ser usados em aplicações médicas que utilizam pequenos tubos. "O atrito de fluidos em pequenas escalas aumenta. Se cobrirmos as parede internas desses tubos com nanomotores, podemos ajudar a conduzir melhor o fluido", explica Sykes. Além disso, os pequenos motores poderiam ser usados nas telecomunicações. "Ao unirmos movimento molecular com sinais elétricos, poderíamos criar engrenagens minúsculas em nanocircuitos elétricos. Essas engrenagens poderiam ser usadas em linhas digitais em telefones celulares, por exemplo".

Apesar de as aplicações práticas para o motor molecular existirem, avanços na manipulação das baixas temperaturas terão que ocorrer para melhor controle da rotação. O motor gira muito mais rápido em temperaturas mais altas, o que torna difícil medir e controlar a rotação. "Mostramos que é possível fornecer eletricidade para uma única molécula e forçá-la a fazer algo que não é aleatório", disse Sykes.

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